Desfecho deve levantar mais questões

ALÉM DA FÍSICA: Com referências filosóficas, ideia é gerar debate, não esclarecer dúvidas

Etienne Jacintho, de O Estado de S. Paulo

22 de maio de 2010 | 16h00

A ABC chamou J.J. Abrams, que estava envolvido com Alias, e pediu para que ele criasse uma série inspirada no filme O Náufrago. Abrams pensou que seria impossível e entediante fazer uma série sobre um homem em uma ilha. Ele então chamou Damon Lindelof e os dois criaram a trama de uma ilha misteriosa com 48 "náufragos" e alguns outros habitantes. Mas não foi só isso. Além dos mistérios, eles ainda colocaram um baú filosófico por trás dos personagens.

 

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O principal deles é John Locke, nome do filósofo que segue a linha de pensamento de Aristóteles e Tomás de Aquino na teoria da Tábula Rasa (nome de um dos episódios da série), e defende que todas as pessoas nascem iguais, como uma folha em branco, e são resultado de suas experiências pessoais.

 

A partir desse personagem, a série cita outros filósofos seguidores de Locke, como Jean Jacques Rousseau (na pele de Danielle Rousseau) e David Hume (Desmond Hume). O pai de Locke, na série, é Anthony Cooper, que, na vida real, foi o patrono do filósofo Locke.

 

Em Lost, Locke também assume a identidade de Jeremy Bentham, filósofo que se opôs à teoria da Tábula Rasa. Outros filósofos homenageados em Lost foram Thomas Carlyle (Boone Carlyle), Edmund Burke e Mikhail Bakunin.

 

Levando em consideração as raízes filosóficas da série, os fãs que esperam respostas objetivas e palpáveis às questões levantadas pelos autores podem se decepcionar. Lost não veio para esclarecer dúvidas e, sim, para discuti-las. E, provavelmente, o final da 6.ª temporada será como os finais dos outros cinco anos e trará mais questões para alimentar fóruns na internet. Lost ainda terá vida longa.

 

 

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