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Desafio do vencedor será esquecer o 'The Voice'

Programa que mostra artistas com má formação pode fazer mais mal do que bem

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

27 de dezembro de 2013 | 20h34

Não havia nome melhor a ser premiado. Sam Alves, o garoto de Fortaleza preparado pela baiana Claudia Leitte, era mesmo quem deveria vencer o The Voice Brazil. Não se trata de uma notícia a ser exatamente comemorada.

O nível dos concorrentes, apesar das bajulações dos jurados dizerem sempre o contrário, foi muito próximo do sofrível e expôs uma crueldade corporativa. Ao inverter o processo de construção de uma carreira artística, levando o jovem a um palco em horário nobre para ser avaliado por 30 milhões de pessoas – o que deveria ser o último estágio – para enfim jogá-lo na estrada e dizer “se vira” – o que deveria ser o primeiro estágio – , a Globo queima artistas expondo-os como fetos prematuros, nascidos com má formação.

Rubens Daniel, que interpretou Monte Castelo, de Renato Russo, não pode jamais voltar a cantar e tocar o piano ao mesmo tempo antes de resolver seus problemas de afinação. Pedro Lima, de Me dê Motivo, deve se libertar dos registros da música gospel, o mal de 90% de seus companheiros, se quiser descobrir uma identidade própria e, já que estamos falando de The Voice ‘Brasil’, brasileira. E Lucy Alves não deveria se contentar em ser um cover de Elba Ramalho. Seu potencial mostrado em shows que faz ao lado de Alceu Valença vai além disso.

O desafio de todos eles, sobretudo o de Sam Alves, é o mesmo: anular os efeitos negativos do The Voice, guardar apenas o que de fato valeu a pena e iniciar uma carreira de verdade, pedindo emprego no primeiro bar que lhes oferecer um banquinho e um violão.

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