'Dercy era um exemplo de força', diz Adelaide Chiozzo

Amigos falam sobre a atriz e humorista, que morreu na tarde deste sábado no Rio, aos 101 anos

Alexandre Rodrigues e Roberta Pennafort

19 de julho de 2008 | 19h20

  A atriz e comediante Dercy Gonçalves, de 101 anos, morreu neste sábado, 19, no Rio. Ela foi levada para o Hospital São Lucas, em Copacabana, bairro onde morava, durante a madrugada. Até o início da noite, a filha de Dercy, Dercimar, e amigos próximos à família não haviam se pronunciado sobre o velório e o sepultamento da atriz. Provavelmente ela será enterrada em Santa Maria Madalena, sua cidade natal, no Norte Fluminense. Veja as declarações de amigos e famosos sobre a atriz:   Veja também: Morre aos 101 anos a atriz e humorista Dercy GonçalvesGaleria de imagens da humorista    "Vi a Dercy trabalhar desde criança. Ela trabalhou com meus pais. Lembro-me, ainda menina, quando o meu pai falava sobre a chegada de uma jovem atriz que dizia palavrão, enfrentava a ditadura, quebrava as regras vigentes do teatro. Ela era uma mulher corajosa. Ela teve uma vida gloriosa. Acho que 101 anos é muito tempo para uma menina que veio do nada e criou um estilo próprio, consolidou um estilo brasileiro de representar. Influenciou muitos artistas."Marília Pêra, atriz   "Dercy Gonçalves será sempre sinônimo de alegria de viver. Foi uma grande artista de teatro, cinema e televisão e uma mulher que deu exemplo de bom humor, vitalidade e irreverência. Filha de Santa Maria Madalena, cidade do Estado do Rio de Janeiro, Dercy Gonçalves era um orgulho do povo do nosso Estado. Portanto, está decretado luto oficial de três dias."Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro   "Lamentamos profundamente esta perda da atriz e da cidadã benemérita de Madalena. A Dercy transgrediu a sua época garantido como razão de sua vida o seu querer, a sua vontade de ser o que foi. Se não tivesse fugido de Madalena, teria sido para semprea a Dolores, filha de um alfaiate e de uma lavadeira. Ela começou como cantora, mas foi prejudicada por uma tuberculose. Então ela teve de encontrar uma outra forma de ser para continuar a ser artista. Na área cômica, ela se tornou um fenômeno e um mito das artes cênicas brasileiras. A Dercy formou um personagem e onde quer que estivesse publicamente o representava. No particular, ela era até uma pessoa muito conservadora. Não falava o que falava nos palcos como artista."Neston Lopes, diretor do Museu Dercy Gonçalves, em Santa Maria Madalena   "Ela dizia que não gostava de se queixar, mas me disse um dia que estava se sentindo muito cansada. Mas era uma mulher muito forte, que me incentivou muito em vários momentos. Ela dizia: não pode deixar a peteca cair! Éramos muito amigas. Quando ela fez 100 anos, me convidou para tocar na festa dela em Madalena e eu fui com muito prazer. Ela até pediu para que eu tocasse Beijinho Doce sobre o seu túmulo! Ela queria voltar ao trabalho, dizia que pediria ao Silvio Santos para reativar o programa dela. Ela se sentia inferior por não estar trabalhando. Apesar da idade, ficava impressionada com a boa memória dela. Para nós, artistas, Dercy era um exemplo de força, da superação do talento, uma influência para todos."Adelaide Chiozzo, cantora e amiga   "A Dercy foi um exemplo de profissional, de mulher e de brasileira. Ela me contou muitas histórias. Todo mundo vai passar, mas sempre fica uma falta. Ela foi uma mulher guerreira e vitoriosa. Conservava o espírito alegre, mesmo com tudo que passou na vida. Não homenageamos no carnaval uma estrela, mas uma cidadã brasileira de alta grandeza." Max Lopes, carnavalesco   "Trabalhei pouco com ela, mas a conheci como todos a conheceram. Uma grande atriz, cômica por um lado, mas séria por outro. Lamento profundamente o desaparecimento dela." Jorge Dória, ator   "Dercy era a alma das ruas, das praças, dos bares do Rio. Trabalhou até o ultimo dia de sua vida. Ia às Casas de Convivência de Idosos da Obra Social da Primeira Dama (Mariangeles Maia) e alegrava as pessoas de terceira idade dizendo que ela era de primeira idade, e que todos ali que sentissem assim, o eram também" Cesar Maia, prefeito do Rio    

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