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Depois de interpretar Pablo Escobar, André Parra vive Hugo Chávez

Série 'O Comandante' estreia nesta segunda-feira, 6, na TNT

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

04 Março 2017 | 16h00

Qual pessoa você conhece que pode ser reconhecida por ter sido próxima de Pablo Escobar, maior narcotraficante que já existiu, e Hugo Chávez, presidente venezuelano até a sua morte, em 2013? O ator colombiano Andrés Parra, de 39 anos, fala do outro lado da linha com propriedade de ter estado na pele de ambos. 

Quando Wagner Moura surpreendeu o mundo em Narcos, ao interpretar o traficante colombiano morto em 1993, em atuação que lhe garantiu uma indicação ao Globo de Ouro, Parra já havia vivido o mesmo personagem dicotômico em Escobar, El Patrón Del Mal, uma produção novelesca da rede de televisão colombiana Caracol Televisión. Há quem goste mais do drama e da linguagem mais chapada e televisiva de El Patrón, que está disponível atualmente para os assinantes do serviço de TV por internet Netflix.

Questionado sobre Narcos, uma produção assinada pelo brasileiro José Padilha (de Tropa de Elite), Parra despista. “Desculpe, não assisti”, diz o ator colombiano. Escobar sempre foi um personagem complexo, um homem com valores de família tão grandes quanto a insensibilidade na hora de tirar a vida de um inimigo (ou milhares). Em Bogotá, a capital colombiana, a imagem do personagem é diferente daquela que existe em Medellín, cidade onde o narcotraficante nasceu e cresceu. Para os colombianos, inclusive, a versão de Parra, um deles, é preferível. 

El Patrón chegou ao fim em 2012, dando a Parra dois prêmios, TVyNovelas (colombiano, com vencedores escolhidos pelo público) e India Catalina (que integra a programação do festival de cinema de Cartagena, também na Colômbia). Dois anos depois, ele recebe uma ligação da Sony Pictures. O estúdio lhe propunha, ali ao telefone, um novo papel, mais um personagem com história de vida marcante capaz de reverberar pelo restante da América Latina e Estados Unidos. 

Dois anos se passaram desde aquele “sim”. Parra havia aceitado protagonizar Hugo Cháves, O Comandante, série que estreia na madrugada desta segunda-feira, 6, para terça, à 0h, no canal por assinatura TNT. São 60 episódios de 45 minutos de duração exibidos em ritmo de novela da TV Globo: de segunda a sexta, sempre no mesmo horário. 

“Quando me ligaram, eu não pensava sobre voltar a interpretar um personagem histórico ou não. Apenas me parecia que seria impossível não aceitar o trabalho.”, explica Parra. “E, ao pensar nesse sentido, eu me sinto um privilegiado. Sou um ator de 40 anos que já teve a oportunidade de viver dois personagens gigantescos da história. Foram duas brilhantes oportunidades de nos confrontarmos com esses desafios e descobrir o que podemos fazer.”

Parra aproveitou o intervalo entre a ligação do estúdio e o início das gravações, realizadas na Colômbia, onde ele mora, para entender quem foi Hugo Rafael Chávez Frías. “Me surpreendeu descobrir como ele era um homem culto e conhecedor do mundo”, diz Parra. “O mundo mostrava Hugo Chávez como um bruto, um burro, ignorante. E a realidade não era nada perto disso. Ele passou 20 anos antes de chegar à presidência da Venezuela. Nada foi de um dia para o outro.” 

Parra foi a fundo nos discursos de Chávez, os quais diziam muito sobre o político, segundo o ator. Surpreendeu-se bastante também. “Somente estudiosos saberiam que Chávez teve uma amante por dez anos”, diz o ator. Para ele, é a complexidade dos personagens como Escobar, Chávez e outros anônimos que transforma o ofício em algo especial. “Para mim, os personagens precisam ser profundos”, ele afirma. “Não importa o tamanho histórico deles.” 

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