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Depois de 13 anos, 'Deadwood' retoma a trama aguardada pelos fãs

O filme pode se passar no Velho Oeste de 1870, mas sempre foi um comentário sobre a origem violenta dos Estados Unidos

Mariane Morisawa ESPECIAL PARA O ESTADO, LOS ANGELES

21 de junho de 2019 | 03h00

Foram 13 anos de espera para os fãs de Deadwood que ficaram órfãos quando a série foi repentinamente encerrada após três temporadas – hoje em dia, é mais raro acontecer de um programa de prestígio assim sair do ar sem conclusão. Mas, enfim, chegou a hora de se despedir dignamente de Al Swearengen (Ian McShane), Seth Bullock (Timothy Olyphant), Trixie (Paula Malcomson) e tantos outros personagens emblemáticos.

Deadwood, o filme, estreia na HBO nesta sexta-feira, 21. “Não sei o que o público vai achar, mas é a versão que David Milch e sua equipe achou que seria um tributo, uma espécie de adeus amoroso”, disse McShane, vencedor do Globo de Ouro por sua interpretação na série, em entrevista ao Estado. O ator inglês é quase tão sem papas na língua quanto seu personagem, o dono do bar da pequena cidade na Dakota do Sul, no século 19. Ele só não sai por aí chamando ninguém de “cocksucker”, cuja tradução mais leve seria “sacana” – a não ser que peçam. “Nesses anos todos, as pessoas se mostraram muito educadas e não me chamam disso, não. Agora, o que eu gravei de mensagem para irmãos e cunhados usando esse palavrão...” 

A história é retomada dez anos depois dos eventos do último episódio. Quase tudo continua como antes em Deadwood, a não ser pelo progresso. É ele que traz de volta à cidade o terrível George Hearst (Gerald McRaney), que quer instalar postes de telefonia (e lucrar com isso, claro). Além de rico, ele agora está ainda mais poderoso, como senador pela Califórnia.

Deadwood pode se passar no Velho Oeste de 1870, mas sempre foi um comentário sobre a origem violenta dos Estados Unidos, com reflexos na realidade atual. Não seria diferente agora. “O filme é sobre a passagem do tempo e como a mudança vai causar conflito nessa comunidade, como ela vai lidar com essa transformação e se dirigir ao futuro com algum otimismo”, disse Timothy Olyphant. “Para mim, pareceu uma história muito moderna, do tipo que a gente está lendo nos jornais, sobre uma época de mudança, o medo que o desconhecido causa, e a volta de fantasmas do passado.”

Olyphant confessou ter hesitado quando os planos de voltar ao mundo de Deadwood começaram a se concretizar. “Adoro ir às reuniões da turma do colégio, mas não quero repetir o ensino médio, sabe como é? Queria entender qual o valor que esse exercício teria”, disse. No fim, o roteiro de David Milch, com os mesmos diálogos elaborados, shakespearianos, o convenceu. É essa razão também, pensa o ator, que fez com que os fãs da série jamais a abandonassem. “Ele criou personagens inesquecíveis, que não se consegue tirar da cabeça. E tem curiosidade sobre todo o mundo que aparece na tela, tenha uma fala ou seja o astro da série”, afirmou Olyphant.

Todos os amados personagens estão de volta: além de Al, Bullock e Trixie, que está grávida, seu marido Sol (John Hawkes), o antigo sub-xerife Charlie Utter (Dayton Callie), a ex-prostituta Joanie Stubbs (Kim Dickens) e Calamity Jane (Robin Weigert), além da viúva e hoje banqueira Alma (Molly Parker). Quem não conhece a série não precisa se preocupar, porque dá para acompanhar a história com a ajuda de breves flashbacks. “Eles poderiam ter feito uma história sobre Al e Seth, sei lá, mas Deadwood sempre foi sobre todo o mundo na história”, disse Ian McShane. 

Por isso demorou para acontecer, era preciso ter a história certa, mas também o elenco disponível. “Mas todo o mundo quis voltar”, disse McShane. “Foi uma experiência surreal porque parecia que nunca tínhamos partido.” Tanto que mesmo o outrora hesitante Timothy Olyphant amou a experiência. “Foi muito mais bacana e emocionante do que eu previa”, disse. “E eu acho que todos se sentiram assim. Tanto que acredito que, se propusessem uma continuação, todos topariam.” Não há nenhum plano quanto a isso, mas não custa torcer. 

 

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