Reprodução HBO
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'Deixando Neverland', sobre abusos sexuais de Michael Jackson, tem data de estreia no Brasil

HBO anuncia as datas de lançamento da produção, que ocorrerá em duas partes

Jill Serjeant   REUTERS / LOS ANGELES , O Estado de S.Paulo

01 de março de 2019 | 12h42

Quase 10 anos após a morte súbita do astro, o legado de Michael Jackson está sob nova análise em um documentário sobre o suposto caso de abuso sexual infantil que foi recebido com indignação pela família do cantor.

Leaving Neverland (Deixando Neverland, em tradução literal) apresenta dois homens, atualmente na faixa dos 30 e 40 anos, que dizem ter sido ajudados por Jackson e também serem vítimas de abuso sexual, a partir de quando eles tinham 7 e 10 anos. O documentário já tem data de estreia no Brasil: a primeira parte vai ao ar em 16 de março, às 20h; a segunda, no dia seguinte, no mesmo horário, no canal HBO e na HBO GO.  

A família de Jackson atacou o filme e os administradores do patrimônio do cantor de Thriller entraram com uma ação contra a HBO, dizendo que o documentário violou um acordo de 1992 de que o canal a cabo não iria falar mal dele. “Michael Jackson é inocente. Ponto final”, disseram os administradores no processo.

A HBO, porém, informou em um comunicado que prosseguiria com o documentário de quatro horas para “permitir que todos pudessem avaliar por si mesmos o filme e as reivindicações apresentadas”.

Após a exibição, a HBO vai transmitir uma conversa organizada por Oprah Winfrey com o diretor e os dois homens na frente de uma plateia de pessoas que sofreram abusos sexuais.

Jackson, que morreu em junho de 2009, foi absolvido em um julgamento de 2005 na Califórnia sob a acusação de molestar um menino de 13 anos em seu rancho Neverland, em Santa Bárbara, na Califórnia. Em 1994, ele entrou em acordo em um processo de abuso sexual referente a outro garoto de 13 anos.

A morte de Jackson foi recebida com uma onda de tristeza em todo o mundo, um aumento na venda de discos e novos projetos, incluindo um espetáculo do Cirque du Soleil que fez dele a celebridade mais bem-sucedida em faturamento após a morte, nos últimos seis anos, de acordo com uma pesquisa anual da Forbes.

“Este é o aniversário de 10 anos da morte de meu tio. Deveríamos estar de luto, mas em vez disso estamos sendo bombardeados com mentiras”, afirmou o sobrinho do cantor, Taj Jackson, à Reuters.

Leaving Neverland tem como foco Wade Robson e James Safechuck, que relatam em detalhes explícitos suas experiências no início dos anos 1990 em Neverland e em outros lugares. Quando meninos, a dupla chegou a morar em Neverland, longe de suas famílias. Eles lembram que estavam apaixonados por Jackson nessa época.

Robson, agora com 36 anos, testemunhou no julgamento de Jackson em 2005 em defesa do cantor. Ele e Safechuck disseram que viram suas experiências de infância sob uma nova luz depois que ambos se tornaram pais.

Os irmãos e o sobrinho Taj do cantor, que passaram anos quando crianças em Neverland, dizem que as acusações são falsas, ofensivas e motivadas pelo dinheiro. Ninguém na família foi contatado para o documentário, e eles disseram que nenhum deles viu isso.

“Eu não me importo de assistir, porque sei quem era meu irmão”, contou Jackie Jackson, 67, o mais velho dos 5 irmãos Jackson.

Robson, que conheceu Jackson depois de vencer um concurso de dança na Austrália aos 5 anos, e Safechuck, que apareceu com Jackson em um comercial da Pepsi em 1986, entraram com um processo após a morte do cantor em busca de centenas de milhões de dólares do patrimônio de Jackson. Ambos os casos alegando má conduta sexual foram indeferidos, mas agora voltaram em um recurso.

O diretor Dan Reed diz que queria fazer um filme especificamente sobre as experiências de Robson e Safechuck. Ele observou que o documentário inclui entrevistas e negações que o astro pop deu sobre acusações de má conduta sexual quando estava vivo. “Não sei se a família Jackson tem algum conhecimento direto do que aconteceu com Wade e James”, contou Reed ao programa This Morning, da CBS Television, em entrevista na terça-feira. “Não havia mais ninguém na sala.”

Sua família diz que eles se lembram de Jackson como uma pessoa generosa que doou milhões a instituições de caridade, adorava se divertir e queria unir as pessoas através de sua música. “Ele era um homem de família. Ele amava crianças ao redor do mundo. Ele queria ser o melhor em seu ofício. Sua música continua viva”, acrescentou Jackie Jackson. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

 

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