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'Death Note' é nova aposta da Netflix. Leia entrevista exclusiva com o diretor

Filme suspense e mistério inspirada no mangá estreia no dia 25 de agosto

Entrevista com

Adam Wingard

Mariane Morisawa, especial para o Estado, Los Angeles

29 de junho de 2017 | 13h45

Depois de conquistar o mundo com séries como “Orange is the New Black” e “Stranger Things”, a Netflix agora está começando a colher seus investimentos em filmes.

“Okja”, que já está disponível na plataforma, disputou a Palma de Ouro em Cannes. “War Machine” é estrelado por Brad Pitt. Em 25 de agosto, estreia “Death Note”, dirigido por Adam Wingard (“Bruxa de Blair”) e baseado no mangá de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata.

A história foi transportada do Japão para os Estados Unidos, e o protagonista, Light Turner (Nat Wolff), é um adolescente de Seattle que encontra um livro mágico com o poder de matar qualquer pessoa cujo nome ali estiver escrito. “Vamos discutir: Como você usa esse poder? E se usa, é algo bom?”, disse ao Estado o diretor. Leia a seguir a entrevista com o diretor, além de ver com exclusividade o trailer e as fotos do filme.

Light é um herói?

É uma resposta complicada. É essa questão que quero que o público se faça.

Por que esse universo lhe pareceu interessante?

Tem várias coisas legais. Leva essa história de detetive, meio gato e rato, mas num contexto de jovens adultos, adolescentes. É uma combinação de um thriller à la Michael Mann com uma história sobrenatural com adolescentes. Isso oferece uma riqueza de direções para o filme, o que me interessou muito.

Você mencionou Michael Mann. Isso significa que vai ter uma pegada mais realista?

O filme é uma mistura de muitas coisas – há um demônio gigante, afinal, então há elementos de terror também. Ou seja, não é uma coisa única. Tem o lado de crime, thriller, mas outros elementos também. É um thriller de crime, sobrenatural, terror, tem história de amor, momentos musicais.

Quais as principais diferenças em relação ao mangá?

Os temas centrais da história são os mesmos. Mas obviamente ela se passa num país diferente. Os personagens têm outros atributos em relação aos originais. No fim das contas, são pessoas diferentes. Light Yagami é Light Turner. Não se trata apenas de uma mudança de nome, eles são pessoas diferentes, com personalidades diferentes. Mas Ryuk é o Ryuk que conhecemos, só mostrado de uma maneira que não vimos ainda. Fizemos algumas mudanças, mas ele é basicamente o mesmo, principalmente em termos de visual.

O filme se passa nos Estados Unidos e não no Japão. De que maneira, então, isso se refletiu?

Esse foi nosso questionamento original, porque não podemos simplesmente pegar a história, mudá-la de país e esperar que fosse 100% a mesma. Então as primeiras perguntas que nos fizemos foi: Como vai ser diferente? Como essa mudança afeta os personagens e seus passados? E também como tudo se alinha, porque o que está acontecendo no Japão socialmente é muito diferente do que se passa nos Estados Unidos – até porque tudo está tão maluco neste país agora. Tinha muita coisa para explorar. No filme fica muito clara a diferença, como estamos lidando com essas questões. Não queríamos pensar apenas em ganhar dinheiro ao pegar esse material e levá-lo para outro lugar, queríamos explorá-lo de uma maneira inédita.

Você ficou chateado, então, quando começaram a acusar o filme de “embranquecer” os personagens?

No fim das contas, vamos lançar o filme numa época muito sensível para esse tipo de coisa. Desde que o projeto foi anunciado, houve alguns equívocos, muita gente achou que íamos colocar um garoto branco no cenário original, no Japão. E esse seria outro debate. Claro que cada um vai ter sua opinião. Mas o filme vai responder a muitos desses questionamentos. Não havia nenhuma pressão para ir por um caminho ou outro, tentamos escolher os melhores atores. Fiquei um pouco surpreso no início, mas também entendo as razões das pessoas. Mas tirar as minorias não era o que queríamos fazer com nosso filme.

A Netflix esteve envolvida numa polêmica no último Festival de Cannes, com exibidores e até produtores acusando a plataforma de estar destruindo os cinemas. Qual sua opinião em relação a isso?

Todo cineasta quer que seu filme seja visto nas melhores condições possíveis. O cinema é o lugar mais adequado para conseguir isso. Mas no fim das contas, “Death Note”, com o orçamento que tivemos, não é o tipo de filme que os estúdios fazem. Não tivemos limitações na violência, na nudez, nos palavrões. Porque a Netflix não precisa passar pelos mesmos controles que os estúdios que exibem nos cinemas. Então você consegue fazer esse blockbuster de Hollywood, só que não vai para o cinema, vai para o streaming. Para o cineasta, gera um pouco de conflito, porque todo diretor quer seu filme no cinema, mas tem suas vantagens porque é uma tentativa de explorar uma maneira diferente. No fim, é empolgante estar participando de uma nova maneira de pensar filmes.

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