JOÃO COTTA/GLOBO
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De volta à TV Globo, Paloma Duarte vive mãe adotiva em 'Malhação'

'É muito bom poder falar de amor e suas amplas formas de existência', diz a atriz

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2019 | 03h00

Após 15 anos afastada da Globo, Paloma Duarte está de volta à casa onde iniciou sua trajetória como atriz. Hoje com 41 anos de idade, ela soma três décadas de carreira. Filha da também atriz Débora Duarte, Paloma tinha feito sua última participação em uma novela da emissora em Começar de Novo, de 2004. Depois, passou a fazer parte do time de atores da RecordTV, onde trabalhou por dez anos, em novelas como Cidadão Brasileiro, Poder Paralelo e Pecado Mortal. A atriz se desligou do canal em 2015. Estrelou também as séries Se Eu Fosse Você, entre 2013 e 2015, na Fox, e Eu, Ela e um Milhão de Seguidores, em 2017, no Multishow.

Paloma estava longe das novelas havia alguns anos, quando recebeu convite do diretor artístico Adriano Melo para fazer Malhação: Toda Forma de Amar, escrita por Emanuel Jacobina (leia entrevista abaixo). “Ele me ligou e disse: Bora falar de amor?! Achei incrível, ainda mais neste momento em que a sociedade anda tão intolerante. É muito bom poder falar de amor e suas amplas formas de existência”, diz a atriz, ao Estado. E como é retornar à Globo depois de tanto tempo? “Normal. É gostoso rever amigos, fazer outros... É como se eu nunca tivesse saído, porque, afinal, trabalhei por muitos anos na empresa antes.” Do período em que ficou na RecordTV, diz ter colecionado personagens inesquecíveis. “E tive um encontro muito especial também com Lauro C. Muniz, que virou um grande amigo.”

Em Malhação: Toda Forma de Amar, nova temporada da produção, que estreia na Globo nesta terça, 16, Paloma interpreta Lígia, que, ao lado do marido, Joaquim (Joaquim Lopes), está no centro do drama familiar da história. Os dois, que já são pais de um filho adulto, Filipe (Pedro Novaes, filho de Letícia Spiller e Marcello Novaes), decidem adotar uma bebê, Nina, e a cercam de amor. Na outra ponta dessa trama está a mãe biológica da criança, a adolescente Rita (Alanis Guillen), que descobre na missa de sétimo dia da morte do pai que ele havia sequestrado sua filha – que ela acreditava ter morrido após o parto – e levado a bebê para o Rio. Rita, então, parte em busca da filha e fará de tudo para recuperá-la. A criança acabará por unir o destino dessas duas mães, Lígia e Rita. Para viver Lígia, Paloma conta que passou por uma preparação intensa. “Tivemos semanas de ensaios, palestras também com pais adotivos e uma psicóloga. Essa personagem traz um tema muito forte e delicado”, diz. 

Situação violenta. Atrizes de gerações diferentes, Paloma Duarte e Alanis Guillen devem travar momentos emocionantes com suas personagens ao longo da temporada. Paloma elogia a atriz estreante. “Ela é uma atriz estudiosa e intuitiva. Tem sido encantador ver o seu despertar”, afirma. “Paloma brilha mesmo e divide toda sua profundidade como pessoa e como atriz. Cada conselho eu encaro como aula”, retribui Alanis, em entrevista ao Estado. 

Outras cenas dramáticas estão reservadas à personagem de Alanis. Já morando em Duque de Caxias – após deixar sua cidade natal, Queimados –, Rita está voltando de uma festa com os amigos, Raíssa (Dora de Assis) e Thiago (Danilo Maia), quando eles testemunham uma situação violenta. Dentro de uma van, eles e outros adolescentes – Jaqueline (Gabz), Guga (Pedro Alves) e Anjinha (Caroline Dallarosa) – presenciam homens armados retirando, de forma truculenta, um rapaz de dentro do veículo. Essa situação unirá o grupo de jovens dali por diante. Esse destino selado por um acontecimento extremo faz lembrar de Malhação: Viva a Diferença, de Cao Hamburger: ali, uma situação marcante na trama também uniu para sempre cinco garotas, que até então não se conheciam – o parto no metrô de uma delas. 

Esse é o primeiro trabalho de Alanis na TV. E já como protagonista. A atriz de 20 anos começou a carreira no teatro. Em 2018, sua agente a levou para fazer um registro na Globo de São Paulo e foi chamada para fazer teste para uma novela, que acabou sendo adiada. Depois, veio o convite para fazer teste para Malhação. E foi aprovada. Analis conta que passou a se dedicar a estudos e pesquisas sobre temas como adoção e gravidez precoce. “Entender Rita, viver Rita, dar voz a Rita foi e é um processo denso. A Rita é densa. Tem todo o entendimento do autor e diretor, tem meu entendimento como atriz, e como meu corpo responde ao que a Rita quer/precisa expressar”, avalia ela. “Mas, para além desse estudo anterior, é também algo que se constrói a cada cena, a cada dia, cada relação com os outros personagens e os temas que abordamos.”

Entrevista

Emanuel Jacobina, autor

Autor das primeiras temporadas de Malhação e também de outras mais recentes, Emanuel Jacobina fala de seu trabalho agora à frente de Malhação: Toda Forma de Amar. 

Como surgiu a ideia dessa trama, que gira em torno de uma mãe adolescente e uma família que adota seu bebê?

Eu quis contar a história de duas mães que amam uma criança com a mesma intensidade, mas de maneiras diferentes, do ponto de vista da mãe biológica e da que adotou. A ideia é construir uma trama em que, por meio de diferentes tipos de relação, o amor é o sentimento que predomina, em especial a amizade. 

Qual a importância de se tratar temas como a adoção na TV?

Sempre quis escrever uma história que envolva adoção, acho importante apresentar a força e a grandeza do significado dessa atitude.

Por que você escolheu esse subtítulo para a nova temporada: Toda Forma de Amar? 

As diversas formas de relacionamento serão tratadas com realismo, seriedade, profundidade. Mas também com humor. Escolhi Toda Forma de Amar porque no Brasil estamos todos precisando de carinho, aconchego, compreensão, afeto, ou seja, amor.

A personagem Rita e outros jovens se veem unidos após testemunharem uma situação dramática. Por que essa situação os unirá?

Os jovens se unem porque testemunham um crime e não sabem como lidar com o fato que presenciaram. Unem-se para se manterem informados e para se apoiarem. Na verdade, o medo os uniu.

Você esteve à frente das primeiras temporadas de Malhação e retornou à autoria da novela em 2010, 2015, 2016 e agora em 2019. Os jovens e adolescentes mudaram muito de lá para cá. Qual o desafio de atrair essas faixas etárias de espectadores, que atualmente estão fortemente presentes nas redes sociais, no YouTube e nos serviços de streaming?

O desafio é sempre grande e implica em ter conteúdo dramático ao mesmo tempo intenso e inovador. Acredito que, quando se tem isso, o público das redes sociais vem em massa, e tenho certeza, pela qualidade da história, pela qualidade dos diálogos, pela qualidade do elenco, pela qualidade da direção e pelo padrão excepcional de todas as pessoas envolvidas nessa produção, que o público vai amar.

No ano que vem, Malhação completa 25 anos. Qual o segredo da produção se manter há tantos anos no ar?

Malhação é a única produção diária de ficção audiovisual serializada, ou seja, a única novela que aborda o mundo oferecendo pontos de vista de jovens, e não apenas os jovens como protagonistas.

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