Alex Carvalho/Divulgação
Alex Carvalho/Divulgação

De tanto ir ao set, ele virou protagonista

Depois de interpretar o pai em Maysa, ele encara o papel central da próxima novela das 6

Patrícia Villalba,

06 de março de 2010 | 16h00

Desde pequeno visitando os bastidores de gravação comandados pelo pai, Jayme Matarazzo sempre pensou que se tornaria diretor como Jayme Monjardim. Mas num revés do destino digno da ficção, ele grava há um mês a próxima novela das 6 da Globo, Escrito nas Estrelas, de Elizabeth Jin, da qual será o protagonista, Daniel. Tudo aconteceu rápido, de um ano para cá, quando ele foi convidado pelo autor Manoel Carlos para interpretar o próprio pai na minissérie Maysa - Quando Fala O Coração, que contou a história de sua avó. "Já no teste percebi como é gostoso atuar, estar do outro lado", conta ele ao Estado, nos bastidores de gravação.

 

Com estreia prevista para 12 de abril, Escrito nas Estrelas é um romance com pinceladas de espiritismo. Para desespero das moças, Daniel morre no primeiro capítulo - mas permanece na novela, como espírito. Um tempo depois, seu pai, o também médico Ricardo (Humberto Martins), descobre que o filho deixou sêmen congelado e decide procurar a mulher perfeita para gerar um neto. É quando a heroína, Viviane (Nathália Dill), moça humilde da favela, é envolvida na história. "Ele a conheceu no dia do acidente, mas sentiu uma ligação muito forte", detalha Jayme que, aos 24 anos, muito sério e concentrado, diz não estar nervoso com a estreia. "Por mais experiência que eu não tenha, me sinto superconfortável para tocar esse projeto da melhor maneira até o fim."

 

O que já dá para você contar sobre o Daniel?

 

É um menino que estuda medicina, e é um destes meninos bons da nossa juventude de hoje. Num dia de infelicidade, ele sofre um acidente de carro e morre. Mas não consegue se conformar com a ideia de não ajudar mais os outros e volta. É quando, mesmo sendo espírito, ele vai sentir um encanto pela Viviane.

 

E como é a pressão de ter tanto destaque logo na primeira novela, e já começar como protagonista?

 

O gosto pela profissão surgiu na minissérie (Maysa) quando, por motivos muito pessoais e por causa da história, eu recebi um convite do Manoel Carlos para fazer um teste. E já no teste senti como é gostoso atuar, estar do outro lado. Porque eu sempre estudei muito direção de cinema. Em Maysa eu percebi que sentia muito prazer em dar vida a um roteiro, em viver um personagem. Depois da minissérie, achei que fosse ficar tranquilo e rolou um convite para o filme do Arnaldo Jabor (A Suprema Felicidade), no qual também fui protagonista. Ali já foi uma prova de fogo. Agora a novela é maior presente do mundo. É mais uma coisa de "caramba, né?".

 

Mudou totalmente a direção da sua vida.

 

Sim, é quando você pega um daqueles atalhos da direita e ele te leva para a felicidade por um caminho mais curto. Estou muito feliz. É um trabalho que tem de ser feito com a alma, mesmo, porque a gente vai falar sobre isso: alma, entrega, dedicação e amor.

 

Quando visitava o set do seu pai, você prestava mais atenção no trabalho de diretor ou também sentia curiosidade sobre os atores?

 

Desde pequeno fui a muitas gravações com meu pai. Te confesso que sempre prendi mais os olhares ao meu pai e à direção. Gostava daquele jeito de conduzir uma equipe, da maneira como a história saía do papel devido ao cenário, figurino, arte e a qualquer coisa. Só que sempre tive contato com muitos atores, e não tem como prestar atenção no diretor sem prestar atenção nos atores. Então, se você me perguntar se eu analiso atores desde pequeno, vou te falar que sim. Às vezes, a gente nem sabe o que quer fazer. Mas tudo aquilo era motivo para eu prestar atenção e me fascinar.

 

Já gravou como fantasma?

 

Ah, não como fantasma, né? (risos) Não vejo o Daniel como fantasma, mas como um espírito. Mas é bom que gente diga que a novela não é sobre espiritismo. A gente está aqui para contar uma linda história de amor que, se é possível ou não, depende da crença de cada um. Já gravei sim algumas coisas como espírito. É muito engraçado, curioso e bonito você se colocar num espaço em que a nossa imaginação e a nossa fé muitas vezes não nos fazem enxergar.

 

Você já se interessava pelo tema?

 

Não, não conhecia o espiritismo. Mas em pouco tempo de estudo me tornei fã incondicional dessa maneira de ver a vida. Hoje em dia, não te digo que sou espírita, mas que conheço, respeito e acho muito bonito o espiritismo.

 

Qual foi a reação do seu pai quando soube que você seria ator e não diretor?

 

Não contei para ele que estava fazendo o teste para o filme nem para a novela. Ele só soube depois, quando já contei que faria esses trabalhos - foram sustos saudáveis, gostosos de se tomar. E ele ficou muito feliz, porque confia nas minhas decisões, sabe que eu corro atrás das coisas e tenho os pés no chão.

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