HBO/ Divulgação
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De Bruna Lombardi, ‘A Vida Secreta dos Casais’ estreia nova temporada

Série criada, roteirizada e protagonizada pela atriz, investe em trama recheada de sexo, política e poder em seu segundo ano na TV paga

Thaís Ferraz, Especial para O Estado

13 de outubro de 2019 | 08h00

Em uma das primeiras frases do episódio de estreia da série A Vida Secreta dos Casais, a sexóloga e terapeuta Sofia, interpretada por Bruna Lombardi, diz em voice-over: “Se as pessoas conseguissem resolver seus problemas sexuais, todos os problemas do mundo estariam resolvidos”. É nesse tom provocativo que a série da HBO, cuja segunda temporada estreia neste domingo, 13, constrói seu emaranhado de sexo, política e poder.

Na história, Sofia comanda o Instituto Tantra, um centro de terapia sexual voltado à autodescoberta e à recuperação de casais. Ela também tem seus problemas: é chantageada pelo ex-marido, Jonas (Fernando Alves Pinto), que quer a guarda do filho do casal, passa por dificuldades financeiros na empresa e sofre, escondida, de esquizofrenia.

Para piorar, um de seus pacientes, Daniel, é assassinado após fazer uma importante descoberta – e deixar um misterioso pen drive sob sua tutela. 

Uma das maiores produções da HBO no Brasil, A Vida Secreta dos Casais tem uma produção bastante familiar: a atriz Bruna Lombardi, o ator Carlos Alberto Riccelli e o filho do casal, Kim Riccelli, estão envolvidos no projeto.

Em entrevista ao Estado, Bruna, criadora e roteirista da série, afirma que Sofia é uma das personagens mais desafiadoras de sua carreira. “Mesmo tendo interpretado Diadorim (jagunço-mulher de Grande Sertão: Veredas, na minissérie da Globo de 1985). Ela tem conflitos muito radicais, agrupa muitos temas em seu ser”, explica. 

Para Bruna, o público é capaz de se identificar com os personagens. “Nessa particularidade de quem a Sofia é e o que ela tem, estão refletidos sentimentos e emoções muito comuns a todos nós”, afirma. “Nós queremos quebrar o estigma, discutir a esquizofrenia, mas não é necessário ter esse transtorno para se identificar, ter empatia e compreender os sentimentos da personagem.” 

No melhor estilo HBO, A Vida Secreta dos Casais não poupa o público de cenas explícitas e temas polêmicos. Para Bruna, os assuntos são essenciais. “Não criamos uma série para depois procurar temas. Nós criamos a série baseada naquilo que achamos fundamental: conversar, debater, espalhar”, afirma. “Grandes temas como esses são vitais em um momento de tanta distorção, confusão e fake news. Nós queremos que as pessoas tomem mais consciência”, completa.

A política exerce um papel fundamental na produção. Paralelamente à história de Sofia, se desenrola o arco narrativo do jornalista investigativo Vicente (Alejandro Claveaux) e sua nova fotógrafa, Renata (Letícia Colin). Escalados para cobertura de política, os dois se entranham nas relações de poder.

Na segunda temporada, o assunto se torna ainda mais presente, aliado, agora, ao mundo corporativo: nos novos episódios, um grupo de hackers tenta obter arquivos sigilosos sobre uma rede de corrupção comandada pelo banqueiro e empresário Edgar Eleno Andreazza (Paulo Gorgulho), que, para proteger seus negócios, se aproxima do vice-presidente Zairo (Leonardo Medeiros).

A semelhança com a realidade é mera coincidência – mas curiosa. “Demos uma força grande para a história dos hackers, que é algo muito do nosso momento, onde todo mundo usa a internet e se sente jornalista. E onde todo mundo é vigiado”, afirma o ator Carlos Alberto Riccelli, que interpreta o detetive Luís

 

Atualidade

Bruna Lombardi destaca que as séries exercem a função de quebrar paradigmas contemporâneos. “Essas produções acompanham seus tempos, principalmente quando fazemos uma série contemporânea que quer discutir coisas atualíssimas”, diz.

Lançada há um ano e meio, a série parece, de fato, acontecer hoje e agora. Para Bruna, tudo é um grande mistério. “Quando você escreve uma série, trabalhando na produção, há uma antena muito ligada naquilo que está se delineando para acontecer na sociedade”, diz ela. “Esse é o mistério do ‘deus das séries’: ele ajuda a gente a se conectar com os fatos, com o futuro próximo e com a forma como o fluxo dos acontecimentos se desenrolam.” 


 

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