Phil McCarten/Invision for the Television Academy/AP Images
Phil McCarten/Invision for the Television Academy/AP Images

David Nutter, diretor de 'GoT,' prepara sua despedida da série

Ele lembra as dicas que deu aos atores para os capítulos finais da última temporada de ‘Game of Thrones’

Jennifer Vineyard   THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2019 | 03h00

Certa vez, Barack Obama, provocou o diretor David Nutter dizendo que ele tinha assassinado todos os seus personagens favoritos da série. O que não surpreende uma vez que Nutter é o homem que dirigiu o massacre dos Starks no Casamento Vermelho, a morte de Shireen, queimada viva, e a de Jon Snow, apunhalado por um membro da Patrulha da Noite. Os episódios dirigidos por ele nesta temporada final de Game of Thrones – os de números 1, 2 e 4 – foram bem menos violentos, concentrados mais nas clássicas reuniões e despedida de personagens.

Em entrevista por telefone, Nutter falou das dicas que deu aos atores para tornar esses momentos especiais.

Muitos fãs criticaram o fato de Fantasma, o lobo de Jon Snow, não ter tido o adeus merecido como um pet de estimação. 

Havia muita coisa para equilibrar, para fazer com que as coisas saíssem corretamente, lembrar dos personagens e o que estava em jogo num momento particular. Jon dizendo adeus ao seu lobo gigante foi tão poderoso e rico por causa dos atores. Eles passaram muitos anos atuando na série e este é o auge dos seus personagens em alguns aspectos, de modo que era preciso manter o controle sobre o quanto você deseja dar a eles. 

Os atores de Game of Thrones disseram que você enfatizou o inesperado no desempenho deles e ofereceu novos caminhos. Poderia nos contar algumas observações que fez aos atores?

Claro! Quando comecei a dirigir a série, Rory McCann, que interpreta o Clegane, o Cão de Caça, era alguém que prometia muito. Ele era fantástico, mas tinha problemas de atuação. Basicamente, sentei-me com ele, lemos juntos algumas sequências. Dez minutos depois olhei para ele e disse: “Ok, esse é o ponto. Pare de interpretar. Simplesmente diga seu texto como Clint Eastwood faria”. Quando começou a fazer isso, ficou perfeito. Às vezes, os atores perdiam seus personagens de vista. Mas eles tinham de descobrir algo dentro deles. Os personagens estavam bem ali. Como diretor, meu desejo é que descubram o personagem que já está dentro deles, em vez de tentarem inventar alguma coisa. Isso não é honesto nem verdadeiro.

Fale sobre a Temporada 8.

Nesta temporada, disse a Sophie Turner como Sansa deveria interagir com Daenerys. Havia um pouco de apreensão porque se tratava de uma grande cena em que elas se encontram, no Episódio 1, mas também se confrontam. Lembrei a Sophie que Winterfell é a casa de Sansa. “Esta é a sua casa e é nela que Daenerys está entrando.” Quis passar toda a confiança para que ela respondesse com o que recebeu. Acho que Sophie fez um tremendo trabalho. E também pode haver uma sequência em que um ator diz algo que não está no roteiro para ficar mais perto do estado emocional do personagem.

Pode dar um exemplo?

Algo funcionou muito bem no último episódio. Falei a Nikolaj Coster Waldau que Jaime deveria dizer a Brienne que tudo o que ele fez foi por Cersei. E quando ele diz a frase, demos um close em Brienne e ela só ficou olhando para ele. Também expliquei a Nikolaj: “A última coisa que quero que você diga a ela é que você não a ama mais”. E foi o que ele fez, mas ela não esperava ouvir isso. A atriz Gwendoline Christie (Brienne) não esperava isso. Foi especial. Às vezes, surpreender o ator cria uma resposta que você não espera. 

E os momentos finais entre Tyrion e Cersei, quando ele apela para o lado bom dela?

Acho que é um momento em que Tyrion procura apelar para o lado materno de Cersei, seu amor verdadeiro pelos filhos. Algo que realmente a afeta. Houve uma sequência que gravamos com Lena Headey e Pilou Asbaek em que ele a deixa sozinha no quarto e tudo o que eu disse a Lena foi: “Ele a deixa e você fica sozinha com seus pensamentos por um longo tempo, e quero que você tenha a oportunidade, de certa maneira, reafirmar o que acabou de fazer e se sentir enojada pelo que fez”. Foi uma das gravações mais longas na sequência, quando você vê a porta se fechar e Cersei é tomada por essas emoções, uma cena excepcionalmente forte.

É quando Euron Greyjoy descobre a gravidez de Cersei e acha que é seu filho. Há um momento em que Tyrion fala com Cersei e menciona a gravidez, e Euron olha para ela como se perguntando, “como ele sabe disso?”

Exato! A atuação é tão incrível que direção só precisou dar espaço para eles interpretarem do modo que sentiam. 

As reações de Emilia Clarke nesse episódio foram as mais variadas, especialmente quando você cria um cenário para Daenerys como Rainha Louca. 

Há a sensação de que a personagem se sente isolada, sentindo que Jorah Mormont já não existe mais. E naquele momento em que ouve Tormund falar que Jon é um rei porque saltou num dragão e lutou com um dragão, quando ela fez isso tantas vezes e não é reconhecida por isso. E o encontro com Jon após a festa, realmente a afetou e o seu desespero para fazer com que Jon a ouça. No final dessa sequência ela mostra uma determinação poderosa, mas também quando vemos Varys e Tyrion na sala de mapas implorando a ela para não fazer o que está fazendo, ela se mostra calma, fria. “Essa é a decisão que tomei. E assim será.” Foi uma maneira muito mais assustadora de ela protestar. Também quis poupar a capacidade que Emilia tem de transformar seu rosto no fim do episódio, para refletir como sua personagem se sente. Há uma raiva que emerge dela, da personagem de Daenerys, no fim do episódio, que nunca vi antes. Estou realmente com medo do que ela fará em seguida. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

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