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Da biblioteca para os estúdios

Figurinistas de tramas de época se desdobram para fazer a arte acontecer

Thaís Pinheiro, O Estado de S. Paulo

23 de janeiro de 2011 | 09h00

Se compor o figurino de uma trama contemporânea já exige muito trabalho, imagine a situação dos figurinistas que têm de compor as roupas de um tempo do qual não existe foto ou imagens de referência. Esse foi o desafio mais recente de Edson Galvão, figurinista da Record que comandou a caracterização dos personagens da minissérie Sansão e Dalila.

"A gente baseou a pesquisa principalmente em leitura bíblica. O que existe de mais histórico para poder buscar referências é isso. Esse trabalho é longo, ficamos uns três meses pesquisando, desenvolvendo tecelagem, tingimento, fazendo paleta de cor, desenvolvendo tecido para cada personagem", conta Galvão, que também vestiu Os Mutantes.

Para ele, em montagens de época, as roupas são fundamentais não só para contar a história, mas para que o ator "encontre" o seu papel. "Muitos atores, colocam a roupa do figurino e encontram o personagem naquele momento. No caso das joias, por exemplo, fomos fiel ao que era usado na época. Elas eram pesadas, justamente para que as atrizes sentissem aquele peso", explica.

Embora exista uma preocupação em retratar aquele período com o maior realismo possível, é preciso também adaptar tal momento ao que público espera ver na televisão. "O telespectador não quer ver nada muito sujo na tela, nada muito grosseiro, então temos uma certa liberdade poética. Temos de transformar o que é bruto em algo que fique belo para as pessoas gostarem", admite o figurinista.

Há de se pensar também na praticidade das peças, mas sem perder as características que as deixam tão próximas do real. Os tecidos, por exemplo, passaram pelo mesmo processo de tingimento que era usado na época: para conseguir tons de verde, a equipe usa folha de eucalipto, para chegar ao bege podem ser usados chá mate ou cascas de cebola. O truque é também usar pigmentos artificias para as roupas não desbotarem ao longo da trama.

"Muitas peças foram construídas no corpo dos atores, porque usava-se muitas amarrações e pouca costura. Mas a gente, mesmo assim, tem de fazer com que as roupas sejam práticas, porque não dá para ficar três horas por dia vestindo o ator", explica Galvão.

Na época da ditadura. Já no caso da figurinista do SBT Cris Rose, o processo de pesquisa se baseou nos anos 1960 e 1970. Ela trabalha nos figurinos da novela Amor e Revolução, trama de Tiago Santiago, que começou a ser gravada este mês e deve estrear entre março e abril. Como a história se passa no início do regime militar brasileiro, Cris foi atrás dos registros da época para compor todos os detalhes dos personagens.

"A gente precisa entender como é a sociedade daquela época, o contexto histórico. Consultamos, por exemplo, o Regulamento de Uniformes do Exército, para saber as mudanças que aconteceram nas fardas ao longo dos anos", conta. "A roupa fala e ajuda a contar um pouco da história. Ela é como uma máscara social", defende Cris Rose.

E o que seria do cinema, do teatro e da TV sem os figurinos? Certamente, as histórias teriam menos charme...

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