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Cultura atribui demissão de Conti a salário

Marcos Mendonça nega interferência no 'Roda Viva'; âncora o desmente

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2013 | 19h41

Presidente da Fundação Padre Anchieta desde junho, Marcos Mendonça disse que dispensou Mario Sérgio Conti do posto de mediador do Roda Viva porque seu salário era alto. Seu substituto, Augusto Nunes, segundo ele, ganhará um salário “bem menor”. Mendonça nega que tenha dispensado Conti pelo fato de ele ter desmarcado a entrevista que o jornalista já havia agendado com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – depois reconvidado por Conti – para o programa que foi ao ar 1º de julho.

O episódio que atribui a saída de Conti à entrevista de FHC foi relatada no último domingo pelo jornalista Elio Gaspari no jornal Folha de S.Paulo. Ao Estado, Conti confirmou que a direção da TV Cultura desmarcou a entrevista com FHC. “Ela só foi feita porque convidei novamente o presidente”, concluiu.

A entrevista com FHC de fato chegou a ser desmarcada naquela ocasião. Como o ex-governador José Serra havia estado no programa uma semana antes, houve quem sugerisse que a presença de FHC, uma semana depois, soaria proteção aos tucanos, mesmo porque os cofres do governo do Estado de São Paulo, administrado pelo PSDB, abastecem a maior parte do caixa da TV Cultura.

“Mas eu não participei desse episódio”, reforçou Mendonça ao Estado, ontem, em entrevista por telefone. “Isso deve ter ocorrido porque o Fernando Henrique iria um dia antes no Canal Livre, da Bandeirantes, e talvez a sua presença aqui, no dia seguinte, ficaria muito repetitiva, mas eu sou ligado aos tucanos, sou amigo do Fernando Henrique, jamais o desconvidaria para o que quer que fosse.”

Mendonça atribui ao salário de Conti o motivo da saída. Disse que a Fundação hoje tem um rombo de R$ 43 milhões. A repórter se espanta: “Mas quando o senhor assumiu, esse déficit não era de R$ 15 milhões? Ele sobe a cada vez que nós conversamos”. Ao que Mendonça respondeu: “Pra você ver: Toda gaveta que a gente abre vai aparecendo uma coisa”.

Apesar da justificativa econômica, Conti tem contrato até setembro, o que demandará o pagamento de uma multa rescisória de pouco mais de um mês – o jornalista tem mais duas edições prontas para ir ao ar – quando o salário do novo âncora já estará valendo.

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