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Cuidado, ele está armado de novo

Tantas vezes bandido, Murilo Benício volta às cenas de ação, agora ao lado dos honestos

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 20h41

Na galeria dos personagens de Murilo Benício, os bandidos têm destaque indiscutível. Estão lá, por exemplo, o Juca Cipó do remake de Irmãos Coragem (1995), o Toninho, do filme Os Matadores (1997), e o Dodi, de A Favorita (2008). Depois de passar por toda a hierarquia da bandidagem de ficção, o ator pode se gabar por saber manejar todo tipo de arma - de revólver chumbrega a AR-15. Mas, pela primeira vez está "do lado de lá", como o Tenente Wilson, protagonista de Força Tarefa, seriado policial que estreou na Globo na última quinta-feira.

Dirigido por José Alvarenga Jr., com roteiro de Marçal Aquino e Fernando Bonassi, o programa fala do cotidiano do "serviço reservado" da Polícia Militar, a polícia que investiga a polícia. É mais uma abordagem dentro do gênero que voltou com força à TV (veja reportagens sobre Epitáfios, 9mm e A Lei e o Crime, nas páginas 11 e 16).

E já que era para Benício ser um sujeito honesto, que fosse honestíssimo. No centro das ações do grupo chefiado pelo Coronel Caetano (Milton Gonçalves), Wilson luta para se manter dentro da lei, até mesmo nos momentos mais prosaicos. "Ele é um cara que se propõe a viver com o dinheiro que ganha, na honestidade. Não faz nem bico, como outros policiais, apesar de isso não ser ilegal", detalha Benício, em entrevista ao Estado.

Embora o fio condutor das histórias que serão apresentadas nos 12 capítulos da primeira temporada seja a corrupção policial, Benício anota que a série abre uma discussão mais ampla. "Tem gente que reclama tanto da corrupção dos políticos, mas não percebe que quando dá 50 reais para um guarda não rebocar o seu carro está financiando a corrupção desde lá de baixo. É um efeito dominó", diz o ator.

Wilson é radical, e não só no trabalho. "Gravamos uma sequência em que a namorada dele compra uma bolsa pirata no camelô. Eles têm uma puta discussão por causa disso", adianta Benício. "E no final do episódio, ele compra a bolsa original para ela, em 14 prestações. Isso é muito legal. Para mim, é fácil não comprar um joguinho pirata para o meu filho. Para um sujeito feito o Wilson, que vive com dinheiro contado, é complicado."

 

A vida como ela é

 

Corregedor não ganha mais do que os outros policiais, não tem uma carreira específica e, muitas vezes, quando faz seu trabalho se transforma em alguém mal visto pelos colegas. Nas corregedorias das polícias espalhadas pelo Brasil não há garantia de que, mudado o comando, os homens que estavam prendendo os colegas não voltem a trabalhar nos batalhões ou delegacias ao lado dos que eles investigavam. Isso ocorreu em São Paulo com o delegado Guilherme Santana em 1993. Da corregedoria, ele foi parar na divisão de roubo de carros. E há ainda o risco. Em 1998, o corregedor da Polícia Federal Alcioni Serafim de Santana foi morto a mando de um colega corrupto. Por fim, nem todo corregedor é como o temido coronel Luiz Perine, que chefiou a Corregedoria da PM paulista nos anos 90 ou o personagem de Murilo Benício, o tenente Wilson. De fato. Em 2008, policiais da Corregedoria do Detran de São Paulo foram acusados de achacar os colegas corruptos. (Marcelo Godoy)

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