Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

‘CSI’ comemora 14 anos sob o microscópio

Roteirista e produtora Elizabeth Devine avalia a série e o interesse do cinema pela tevê em passagem por São Paulo

Clarice Cardoso, O Estado de S. Paulo

15 de novembro de 2013 | 20h35

Houve um tempo em que amostras de DNA e pesquisas de impressões digitais não eram cenas corriqueiras na televisão. Isso há 14 anos, antes de CSI popularizar a ciência forense e tornar-se franquia de sucesso. A vida real moldou esse formato, que se baseia na experiência de profissionais como Elizabeth Devine, consultora técnica que se tornou roteirista e coprodutora da série.

Personagens humanamente profundos e tecnologia de ponta são elementos que formataram a longevidade da produção. Tanto que há toda uma equipe designada para descobrir o que há de mais inovador nesse ramo da ciência, explica Elizabeth, que esteve em São Paulo na semana passada para um seminário voltado a roteiristas novatos promovido pelo NetLabTV, criado para identificar projetos para a TV paga.

Se fosse fazer um roteiro para o Brasil, disse Elizabeth ao Estado, o ideal seria aproveitar o gosto local. “Criaria situações provocativas com um aspecto de novela. Acho que as pessoas querem isso aqui. Acima de tudo, querem saber como alguém é capaz de fazer o que faz. Como o público daqui gosta desse tipo de história com reviravoltas e dramas, incorporaria isso em situações totalmente inovadoras.”

No momento, o futuro das séries é influenciado pelo sucesso de locadoras virtuais como o Netflix, que passou a produzir seus próprios títulos – um mercado em que a Amazon acaba de anunciar sua entrada. Mas produções tradicionais hesitam diante do modelo. “Não nos adequaríamos ao formato porque não escrevemos todos os episódios de uma vez, seria impossível. As produções do Netflix, por exemplo, têm 10, 12 episódios. Nós, 22. Se fôssemos criar algo do tipo, teríamos de tirar CSI do ar por um ano, o que é impensável”, conta. “Certamente é um jeito inovador de fazer televisão. Bom especialmente para lançar novos programas. Vi Orange is the New Black em um fim de semana e adorei.”

Mais do que isso, é a migração de talentos do cinema o que mais preocupa a roteirista. “Há diretores de cinema muito bons fazendo séries, como Frank Darabon (indicado a três Oscars), em The Walking Dead, e Julian Fellowes (ganhador de um), em Downton Abbey. São autores fantásticos, e acaba sendo complicado para nós porque, assim, há menos trabalho para roteiristas de tevê. A qualidade da televisão hoje é inegável e almejamos melhorá-la.”

Com o sucesso de CSI, surgiram as produções derivadas. A primeira se passava na ensolarada Miami e rendeu dez temporadas, de 2002 a 2012. Nova York foi o palco da segunda, produzida de 2004 a 2013. Nesse período, a série-mãe passou por abalos consideráveis, como a perda de alguns de seus protagonistas. “Quando substituímos um personagem, eles não são intercambiáveis. Desenvolvemos pessoas diferentes, o que é um jeito de manter os fãs interessados. Quando Grisson (William Petersen) saiu, criamos um personagem que não tinha nada a ver com ele. As pessoas não são as mesmas, e mesmo num laboratório real a equipe muda ao longo de 14 anos. É algo verossímil.”

No País, CSI é exibida pelo canal Sony às segundas, às 21h. Miami e Nova York estão no ar na Record e no AXN. Já nos Estados Unidos, a série atrai cerca de 11,6 milhões de espectadores – pouco mais da metade da primeira temporada. Ainda assim, nada mal para uma produção veterana que comemorou em outubro seu 300.º episódio com um crime que remonta, justamente, a 14 anos no passado.

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