Crítica: Sucesso da Netflix, 'Lupin' tem como grande trunfo o carismático Omar Sy

Crítica: Sucesso da Netflix, 'Lupin' tem como grande trunfo o carismático Omar Sy

Protagonizada pelo ator francês, 1ª temporada da série é diversão garantida com história de ladrão especializado em disfarces

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2021 | 16h00

Um dos sucessos recentes da Netflix, a série francesa Lupin tem a seu favor uma história policial de fundo muito bem engendrada, pontuada por momentos de tensão e reviravoltas. Mas o grande trunfo da produção, sem dúvida, é seu protagonista, o ator Omar Sy. Alçado à fama mundialmente após interpretar Driss, um jovem problemático que inicia uma tocante amizade com o milionário tetraplégico Philippe (François Cluzet) em Intocáveis (2011), Omar é uma combinação potente de carisma e talento. 

E carisma é uma das principais peças-chave de Assane Diop, personagem que ele vive em Lupin e que se inspira em Arsène Lupin, o mestre dos disfarces dos livros de Maurice Leblanc, para dar seus golpes. É que Assane, assim como o personagem literário, é um ladrão cavalheiro, gentil. Ele arma cenas convincentes para envolver as vítimas, com suas mil e uma identidades, mas sem encostar em um fio de cabelo delas. Daí a importância do encanto inabalável de Omar. Inevitavelmente, você torce para que Assane/Arsène consiga se dar bem em suas, digamos, missões. 

Há outro aspecto de grande relevância na escolha de Omar para o papel. Num meio, entre tantos outros, em que ainda se luta por maior representatividade, Lupin é conduzido por um protagonista negro, que brilha ao longo dos cinco episódios dessa parte 1 da série. Originalmente, o personagem literário é um senhor branco, que usa cartola e bigode. Mas vale a ressalva aqui: o elenco conta com pouquíssimos atores negros. 

A série começa no Louvre. Disfarçado de faxineiro, Assane tem acesso ao museu como funcionário, para entender a dinâmica de segurança em torno de um colar valioso que está em exposição e vai a leilão. Mas não se trata de qualquer colar que vale milhões de euros. O pai de Assane foi acusado de seu roubo, anos atrás, quando trabalhava na casa da poderosa família Pellegrini, dona dessa preciosidade. O pai foi preso injustamente e morreu na prisão. Na época do roubo, Assane tinha apenas 14 anos, morava só com o pai, imigrante do Senegal, em Paris e se viu sozinho no mundo. Apegou-se ao livro que o pai tinha dado a ele, protagonizado por Lupin, e forjou sua persona tal qual o célebre ‘ladrão de casaca’. 

Essa jornada o leva, enfim, ao Louvre – e ao seu plano de vingança. Ele promete à sua amada Claire, com quem tem um filho, Raoul, que aquele será seu último golpe, mas que precisa fazê-lo. Sim, Assane é um homem de família, da forma nada convencional dele. E esse é o seu calcanhar de Aquiles. Falar mais do que isso seria spoiler. Ao longo da trama, há cenas beirando o absurdo, mas desapegue-se da rigidez da verossimilhança. Lupin é uma ótima diversão. E uma boa notícia: vai ter a parte 2.

Veja o trailer:

 

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