Crítica: Química entre Adam Sandler e Jennifer Aniston salva o mediano ‘Mistério no Mediterrâneo’

Crítica: Química entre Adam Sandler e Jennifer Aniston salva o mediano ‘Mistério no Mediterrâneo’

Oito anos após 'Esposa de Mentirinha', dupla volta nessa comédia que foi a maior estreia da Netflix, assistida por mais de 30 milhões de contas nos três primeiros dias

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 03h00

Quando estreou na Netflix, no mês passado, o filme Mistério no Mediterrâneo, estrelado por Adam Sandler e Jennifer Aniston, teve uma grande (e inesperada) repercussão. A ponto de a empresa, que não libera seus números, divulgar que essa foi sua maior estreia: a comédia foi assistida por mais de 30 milhões de contas nos três primeiros dias. 

É intrigante tentar entender por que o filme fez tanto sucesso. É uma comédia mediana, com alguns momentos engraçados, que flerta com o universo de mistério da escritora Agatha Christie, mas à moda Adam Sandler. Há tudo o que é costumeiro ver nas produções com o ator: diálogos nonsenses, situações absurdas, personagens estranhos. Às vezes, essa fórmula funciona bem em seus filmes, como no adorável Como Se Fosse A Primeira Vez e no ótimo Click; às vezes, não. Podemos dizer que Mistério no Mediterrâneo fica no meio desse caminho.

Dirigido por Kyle Newacheck, o longa original Netflix tem como ponto de partida a rotina comum de um casal de classe média norte-americana. Jennifer Aniston é a cabeleireira Audrey Spitz, que adora literatura de mistério e sonha que o marido a leve para uma viagem à Europa, promessa que ele fez quando se casaram. Adam Sandler interpreta seu marido, Nick Spitz, um policial meio ‘loser’ que está tentando se tornar detetive, mas foi reprovado várias vezes. Os dois comemoram 15 anos de casamento, e Nick se vê obrigado a cumprir a promessa da viagem de lua de mel tardia. 

Os dois embarcam num voo na classe econômica para a Europa. No avião, enquanto o marido dorme, Audrey entra na primeira classe em busca de tampões para o ouvido, e ali ela encontra o playboy Charles Cavendish (Luke Evans), que está a caminho de uma festa organizada pelo tio, o bilionário Malcolm Quince (Terence Stamp), que está noivo da ex-namorada do sobrinho. 

Charles convida o casal a acompanhá-lo nessa festa familiar. Entre subir num ônibus repleto de turistas barulhentos e embarcar num iate, os dois decidem aceitar o convite do playboy. Na festa, as luzes se apagam e Quince é morto misteriosamente. Todos ali – menos o casal, é claro – têm interesse na morte do bilionário, já que ele exclui parentes e amigos de seu testamento. E, então, surge a pergunta: Quem matou Malcom Quince? O filme ganha ares de versão cômica do clássico Assassinato no Expresso Oriente, de Agatha Christie. E o casal entra numa série de confusões, a ponto de serem apontados como autores do crime.

Há, sim, cenas divertidas, mas não se trata de um grande roteiro. Então, o sucesso do filme recai automaticamente sobre Adam Sandler e Jennifer Aniston, e a química dos dois em cena. Jennifer é uma ótima comediante, Adam também é talentoso, apesar de sua carreira oscilar entre filmes bons e (muito) ruins. Amigos de longa data na vida real, os dois têm sintonia em cena. E quem assistiu a Esposa de Mentirinha, de 2011, sabe que a dobradinha já havia dado certo ali. Em Mistério no Mediterrâneo, um personagem embarca nas atitudes sem noção do outro, e fica difícil não cair nas graças desse casal. 

Sandler, que tem contrato com a Netflix desde 2014, contou, em entrevista à revista Hollywood Reporter, que queria fazer esse filme por causa do retrato que fazia do casamento e da dinâmica entre os personagens dele e de Aniston. “O que eu mais amava era que se tratava de um casal que se juntava e mostrava como é quando você se apoia e confia um no outro”, disse ele. “É um filme muito romântico sobre casamento, é disso que eu gostei.” E esse casal, de fato, faz toda a diferença em Mistério no Mediterrâneo

 

 

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