Netflix
Netflix

Crítica: ‘Insatiable’, da Netflix, peca por ter trama arrastada

Gordofobia não é o problema da série - como foi apontado antes da estreia da produção

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2018 | 06h00

Antes mesmo de estrear, a série Insatiable, da Netflix, já era julgada nas redes. A divulgação do enredo – uma ex-gorda que, agora magra, busca se vingar de quem a humilhou – e, depois, a veiculação do trailer foram o suficiente para a criação de uma petição online que pedia seu cancelamento. A Netflix saiu em defesa da produção e manteve sua estreia.

O que desencadeou a polêmica foi a suposta ‘gordofobia’ envolvida na trama. O que instigou, então, o debate. Como assim uma pessoa decide esfregar na cara da sociedade que é bonita porque não é mais gorda? Nos tempos de hoje, em que se tenta desconstruir os ditos padrões de beleza, como uma série em pleno ano de 2018 pode apelar para uma trama tão anos 1990? 

De fato, quando começa a se assistir à Insatiable, a primeira impressão é essa. Patty, vivida pela atriz Debby Ryan (estrela da Disney em séries como Jessie), é uma adolescente que sofre bullying no colégio por ser gorda. Dos colegas, recebe o maldoso apelido de ‘Fatty Patty’. Uma noite, ela agride um sem-teto que tenta pegar seu doce e recebe um soco de volta. Com o maxilar quebrado, sua alimentação fica restrita, o que faz com que Patty emagreça em poucos meses.

Após a garota se recuperar, sua mãe pede ajuda a um advogado, Bob Armstrong (Dallas Roberts) para defendê-la na Justiça do sem-teto, que a processou por agressão. Bob é também preparador de miss, mas com reputação em queda livre após ser alvo de uma falsa acusação de assédio feita pela mãe de uma de suas misses. Bob aceita pegar o caso. Conhece Patty já magra e vê nela sua chance de refazer sua imagem não só como advogado, mas como coaching também. Quer transformá-la em miss. E Patty encara a proposta como parte importante de seu plano de vingança contra quem a fez sofrer. 

Série da Netflix não faz coro com gordofóbicos

Assim, a princípio, existe a ideia de que Patty ficará bem resolvida com sua nova aparência. Mas ela não fica. E é justamente o que a série discute ao longo de seus 12 episódios. Existe um momento interessante quando Patty e uma trans ficam lado a lado diante do espelho, e levantam a questão de se sentirem confortáveis (ou não) em suas peles – uma quando era gorda e a outra quando tinha alma feminina no corpo de homem. Oras, não é isso que se enfatiza hoje em dia: precisamos nos sentir bem em nossos próprios corpos. As duas não se sentiam – e elas continuam a trazer questionamentos sobre isso sob suas novas peles. 

A série não faz coro com os gordofóbicos, mas peca, sim, por outras razões: pelo humor datado – que pode soar, muitas vezes, ofensivo para os dias atuais –, por não se aprofundar em alguns temas (há questões como bissexualidade que também foram criticadas) e pela trama arrastada, que perde o fôlego lá pelo meio do caminho, dando indícios que Insatiable poderia se resolver em menos episódios.

Veja o trailer: 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.