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Crítica: Com trama envolvente, 'Stranger Things' é repleta de referências a filmes cultuados

Queridinha do momento, a série não traz nada de revolucionário em termos de narrativa

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

30 Julho 2016 | 16h00

A série, pasmem, tirou o foco de Game of Thrones. Queridinha do momento, Stranger Things, produção original da Netflix, não traz nada de revolucionário em termos de narrativa. E é aí que está a grande sacada de seus criadores, os Duffer Brothers. O seriado é um festival de referências a filmes icônicos e cults, sobretudo dos anos 1980.

Para quem já tem o repertório dessas produções, a cada cena, há uma sensação clara de déjà vu, que ativa a memória afetiva, e conduz por uma história cujo enredo não deixa você confortável em nenhum momento. Tem a cena dos amigos em fuga andando de bicicleta, como em E.T. (1982), de Steven Spielberg – mas, neste caso, sem querer dar spoiler, não é a bike que sai voando.

Em outra, a personagem de Winona Ryder pendura luzes de Natal no teto para se comunicar com o filho desaparecido (ela sabe que o menino pode fazer isso, de alguma forma) e as vê piscando, tal e qual os extraterrestres fazem no final de Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), também de Spielberg.

Há ainda a forte amizade do grupo de garotos, que remete a Conta Comigo (1986) e a Super 8 (2011) – no primeiro, quatro amigos vão atrás do corpo de um jovem desaparecido e, no segundo, uma turma de amigos testemunha um estranho acidente de uma caminhonete e um trem, e tudo isso está pulverizado em Stranger Things.

Tem também pitadas de Scanners – Sua Mente Pode Destruir, da literatura de Stephen King e de outras referências mais que você certamente vai identificar.

Situada nos anos 1980 – e com uma trilha sonora saborosa da época –, a série mostra uma cidade até então pacata afetada pelo sumiço misterioso de um menino e a busca implacável de um delegado. Os três melhores amigos do garoto também saem atrás dele e encontram no caminho uma enigmática menina, Eleven (Millie Bobby Brown).

O elenco é afiado, com uma bela volta por cima de Winona, mas os atores mirins são um destaque à parte, especialmente a atriz Millie, de cabelos raspados, que impressiona pela interpretação intensa e contida, e o carismático ator Gaten Matarazzo, que vive Dustin. Difícil não ficar em crise de abstinência ao fim dos oito episódios dessa primeira temporada. 

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