HBO/Divulgação
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Crítica: 'Big Little Lies' retorna com mais sofrimento requintado e sofisticado

Segunda temporada estreia este domingo, 9, na HBO; Meryl Streep reforça elenco principal

Hank Stuever, The Washington Post

06 de junho de 2019 | 11h56

Meryl Streep, que fez de tudo, uma vez interpretou uma mulher morrendo estoicamente de câncer, que se opôs à noção estética de que menos é mais. "Menos não é mais", declarou a personagem. "Mais é mais." É uma das minhas citações favoritas, mesmo que eu não viva por ela, acreditando que menos pode ser uma coisa boa, especialmente quando se trata de televisão. O que nos leva às dúvidas que os espectadores podem estar tendo em relação à extensão do drama sucinto e satisfatório da HBO Big Little Lies, que nasceu como uma série limitada de sete episódios em 2017.

Gosto de informar que, nesse caso, mais realmente pode parecer mais. Nós precisávamos de mais? Não. Nós pedimos mais, de alguma forma? De acordo com a HBO, pedimos. 

Com considerável alarde – e o acréscimo de Streep ao seu elenco triunfante – Big Little Lies retorna no domingo com a mesma dissecação perita de uma extraordinária luta da comunidade de uma praia no norte da Califórnia com riqueza, tristeza, pais hiperativos e insatisfação geral .Como eles sofrem. Quão maravilhosamente eles sofrem.

Esse enredo é ótimo para quem chega ao programa apenas pelas playlists do Spotify e uma pequena fofoca sobre esse 1% da população que tem condições de enviar seus filhos para estudar na escola elementária Otter Bay, uma instituição tão desejável e tão bem cuidada que ninguém parece se importar com o fato de que ela é pública. 

Se, no entanto, você está voltando para Big Little Lies esperando um enredo bem afiado e a tensão em torno da manutenção de sua maior mentira, então você provavelmente notará algum desespero nos três primeiros episódios (que foram disponibilizados para esta crítica) para prolongar uma história que não era tão ‘prolongável’. Trabalhando com seu romance best-seller, Liane Moriarty colabora com o showrunner David E. Kelley em um enredo básico para esta ‘sequel’ de série. 

Como antes, Kelley escreveu todos os sete episódios; Jean-Marc Vallée passou a direção para Andrea Arnold, embora seu estilo de edição permaneça. O encobertamento do crime cometido na 1ª Temporada, quando Bonnie Carlson (Zoé Kravitz) empurrou o bandido que atacava um grupo de mulheres pelas escadas da escola. 

Foi revelado que Perry, o marido sadicamente abusivo de Celeste (Nicole Kidman), é o homem que estuprou Jane Chapman (Shailene Woodley), o que significa que ele é pai de seu filho, Ziggy ("Iain Armitage" de Young Sheldon), que frequenta Otter Bay com os gêmeos de Celeste e as filhas de Bonnie, Madeline e Mackenzie (Reese Witherspoon) e Renata Klein (Laura Dern). Tendo testemunhado o mergulho de Perry, as mulheres combinam de manter a mesma história quando a polícia chega, afirmando que ele havia escorregado e caído. 

O show terminou com uma nota de ligação feminina – o agressor / estuprador estava morto, e as cinco mulheres deixaram de lado suas complicadas rivalidades e fizeram caminhadas afirmativas juntas na praia. Poderia ter sido isso. Mas agora que estamos de volta, alguns meses se passaram, os pequenos estão começando na segunda série e, tardiamente, Bonnie está atormentada pelo fato de que ela não confessou ter empurrado Perry, o que nunca pareceu muito com um assassinato. Um vendedor de bolos de Otter Bay teria pagado por um advogado de defesa famoso; Bonnie teria, na pior das hipóteses, ter que passar alguns fins de semana colhendo lixo no 101. Apesar das negras nuvens de remorso tedioso, a fábrica de boatos da cidade apelidou as mulheres de Monterey Five e Bonnie se afasta de seus amigos e seu marido frustrado para fazer longas e culpadas caminhadas sozinha. 

Felizmente, Streep aparece como Mary Louise Wright, a mãe persistente e irritante de Perry. Ela veio ajudar Celeste e os meninos a sofrerem corretamente, apenas para encontrar sua nora em um estado inadequado de perda. Kelley deu a Streep todo grande pedaço de diálogo passivo-agressivo que pode conjurar, e faz isso como se estivesse em um paraíso - dizendo tudo o que pensa, procurando respostas sobre o que realmente aconteceu com seu filho e se recusando a ver o cônjuge abusivo ou estuprador. Suas cenas com Kidman podem ser deliciosamente desconfortáveis, já que dois dos atores mais sublimes demonstram a grande dança ritual branca em volta dos sentimentos. (Menos é mais!)

Como esperado, Big Little Lies tem que andar um pouco para encontrar crises mais interessantes para enfrentar. Alguns novos enredos da trama se sustentam; alguns não. Para Madeline, eles adicionaram um terremoto conjugal, enviando ela e seu marido, Ed (Adam Scott), para a terapeuta de Celeste, Dr. Amanda Reisman ("Robin Weigert" de Deadwood).

Apenas um outro personagem coadjuvante é bom o suficiente para cortar o verniz esnobe de Big Little Lies: P.J. Byrne como o Sr. Nippal, o diretor de Otter Bay. Depois de um confronto particularmente cruel com um dos pais, Nippal diz a um novo professor: "Eu lhe disse, essas mães da segunda série são Shakespeare, essa mulher, ela é a Medusa de Monterey".

Ele está falando, é claro, sobre Renata, mãe de Amabella, que tem o mundo abalado quando o FBI prende seu marido (Jeffrey Nordling) por fraude e a fortuna combinada do casal é tomada. Quem é Renata, se ela não é rica? Ela está desequilibrada, e toda vez que Dern começa a interpretar um personagem que ficou desequilibrado, os telespectadores sabem que querem uma corrida maluca (mais é mais!). 

Embora Big Little Lies não pareça estar completamente certa de para onde está indo, ainda pode ser um estado de privilégio e raiva deliciosa. Parece provável que alguém seja empurrado para baixo por algumas escadas novamente, metaforicamente ou não. E não é por isso que estamos todos aqui?

Confira o trailer da 2ª temporada de Big Little Lies:

 

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