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Em 'Supermax', criadores de 'Força-Tarefa' flertam com ficção científica

Série simula reality show em presídio rigoroso

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2015 | 05h08

Você toparia participar de um reality show de confinamento, em troca de um prêmio de R$ 2 milhões, sem saber onde fica o “cenário” da atração? Os candidatos de Supermax, fictício reality que norteia um dos novos seriados em produção pela Globo, não titubeiam. Só ao chegar ao local, de helicóptero, tomarão conhecimento de que a “cidade cenográfica” é, na verdade, um presídio de segurança máxima incrustado no coração da Floresta Amazônica – presídio que a Justiça jamais permitiu que fosse inaugurado, dadas as condições desumanas propostas por sua engenharia. Esse é o argumento da nova série de Fernando Bonassi, Marçal Aquino e José Alvarenga Jr., o trio de Força-Tarefa e O Caçador.

“Você vai descobrir, ao longo do seriado, por que aquelas pessoas foram convidadas a estar lá, não é uma escolha aleatória, elas têm algo em comum”, conta Bonassi. Acontece que o reality show, em si, dura apenas um dia, “por um acontecimento que eu não vou adiantar aqui para não tirar o prazer de ver a série”, fala Aquino. “No primeiro episódio, você já vai saber”, emenda Bonassi, deixando a jornalista do Estado tensa com esse nó de intrigas e suspense.

Aquino vai adiante: “Acontece uma coisa no primeiro episódio que acaba com o reality. Passa a ser uma luta pela sobrevivência de pessoas tentando sair de dentro de uma prisão de segurança máxima inexpugnável. Num primeiro momento, vai haver uma luta pela sobrevivência. Você, espectador, não terá certeza disso. É uma dinâmica que deveria funcionar e não aparece. O apresentador, por exemplo, chega no primeiro dia e diz ‘bem-vindo’, como se fosse um reality show. Fica combinado que logo após a primeira prova, no dia seguinte, ele retornará, como acontece num reality convencional, mas...”. Mistério.

Os participantes, confinados e sem informação do mundo externo, ficarão ainda mais perdidos nesse contexto, a princípio sem noção de que o jogo não deu certo. “Tanto o espectador quanto os personagens não têm claro que o reality não está mais em vigência. Eles entendem que algo aconteceu, mas ninguém sabe o que foi”, diverte-se Aquino. “A ideia é que as pessoas possam acreditar, mesmo no âmbito da ficção, que ainda é um reality. De maneira que no episódio 6, alguém vai dizer: ‘Quer saber? Acho que isso está assim, mas é porque é um programa, faz parte do negócio”, conta Bonassi.

Em 12 episódios, o programa tem no elenco Mariana Ximenes, Cleo Pires, Erom Cordeiro, Maria Clara Spinelli, Fabiana Gugli, Vania de Brito, Ademir Emboava, Rui Ricardo Diaz, Nicolas Trevijano, Ravel Andrade, Harildo Deda, Bruno Belarmino. A prisão foi toda construída no Projac, o complexo cenográfico da Globo.

Aquino e Bonassi se conhecem desde Os Matadores, filme de Beto Brant. Depois de O Caçador e Força-Tarefa, queriam ampliar o número de personagens em cena. Veio a ideia de um presídio de segurança máxima que apresentasse alguma peculiaridade. Levaram a proposta ao terceiro parceiro, o diretor José Alvarenga Jr. Foi ele quem arrematou o projeto com a proposta de que aquilo fosse um reality show de confinamento.

Dito isso, Aquino e Bonassi convocaram um time que fizesse jus a um roteiro multigêneros – embora Bonassi, se tivesse que encontrar uma classificação para essa história, diria tratar-se de “ficção científica”. A equipe conta com Dennisson Ramalho, Juliana Rojas, Rafael Dracon, Rafael Montes e a dupla da série A Teia, Bráulio Mantovani e Carol Kotscho. “A gente então desenhou a sinopse dos 12 episódios com o Alvarenga e o perfil dos personagens, antes de começar a escrever”, diz Aquino. “E criou um negócio chamado writting room, em que reuníamos todo mundo e cada um desses roteiristas podia contribuir na parte de criação, dando palpite sobre cada passo.” Tiveram ainda o “luxuoso” auxílio de Daniel Burman, cineasta argentino (O Abraço Partido), que também deu seus pitacos.

Ao longo da história, a convivência vai levando cada um a perceber por que foi escolhido para a ocasião. Os candidatos, no caso, dividem celas, e não quartos ou edredons de cores psicodélicas. No lugar de decotes e barrigas tanquinho, vestem uniformes de presidiários. E há, para arrematar, um segredo geral, razão pela qual aquele presídio nunca foi inaugurado, que só será revelado no último episódio. A princípio, Supermax pode ir ao ar em abril, mas não há, oficialmente, previsão de estreia para o programa.

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