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Criador de 'Mad Men' volta com 'Os Romanoffs', sobre família real russa

Nova série de Matthew Weiner foca em pessoas que se dizem descendentes da realeza morta em 1917

Mariane Morisawa ESPECIAL PARA O ESTADO / LONDRES, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2018 | 06h00

O que fazer depois de uma projeto como Mad Men, aclamado pelo público e crítica e vencedor de um monte de prêmios, incluindo quatro Emmys de melhor drama? Foi um desafio que Matthew Weiner, criador da série sobre o mundo da publicidade nos anos 1960, teve de enfrentar. “Há muita televisão sendo produzida”, disse o escritor e produtor em entrevista em Londres. “Quando terminei Mad Men, comecei a pôr as séries em dia. Queria fazer uma série que fosse preciso acompanhar, que seria diferente toda semana.” Assim nasceu o formato de The Romanoffs. À exceção dos dois primeiros episódios, disponíveis no streaming a partir de hoje na Amazon Prime Video, os outros seis capítulos vão entrar no serviço semanalmente. Cada um tem duração de longa, nos moldes de Black Mirror.

Os Romanoffs, claro, são a família real russa, deposta e assassinada pela Revolução Comunista de 1917. “Sempre tive um fascínio por eles”, explicou Weiner, cuja família escapou do país na mesma data, mas não era aristocrata. “Eles eram poderosos e ricos e tiveram um fim violento.”

Cada episódio foca em pessoas que se dizem descendentes dos Romanoffs, em um país diferente e com elenco diferente – entre os atores estão Isabelle Huppert, Aaron Eckhart, Christina Hendricks e John Slattery. “Queria fazer uma série pelo mundo todo, que fosse sobre conexões. É genético? Cultural? Criação? E explorar quem dizemos que somos versus quem realmente somos”, disse Weiner. Ele acha que é uma questão intrigante nos dias de hoje e cita como exemplo a obsessão dos americanos por investigações do passado genético. “Eu fiz e foi chato, deu uma só cor, nada de diversidade. A insegurança faz com que procuremos nossas raízes.” Para combater o tribalismo, que facilmente resvala no nacionalismo, ele queria que a série fosse global e internacional. “O mundo está tão dividido, e estamos tão isolados”, afirmou. No primeiro episódio, The Violet Hour, a personagem Hajar (Inès Melab), muçulmana e não branca, é constantemente indagada sobre suas origens. “E ela é a mais francesa de todos os personagens”, contou Weiner. 

Temeroso de revelar demais, ele afirma que não há nada que ligue os personagens a não ser os Romanoffs. “Mas, quanto mais você assistir, mais vai ver o que os une. Há coisas escondidas que conectam os episódios, mas eles podem ser vistos em qualquer ordem.” 

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