João Miguel Jr/TV Globo
João Miguel Jr/TV Globo

Cravo e canela no DNA

Ela tem humor, beleza e inteligência. Daí que aceita de bom grado a herança de Gabriela

Patrícia Villalba, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2011 | 09h00

Pouco antes de soltar uma gargalhada deliciosa sentada com a jornalista do Estado à mesa de um restaurante na Barra da Tijuca, a atriz Suzana Pires diz que adora quando alguém se surpreende ao perceber que a densa Janaína de Araguaia é a mesma mulher que foi a fogosa e divertida Ivonete em Caras & Bocas (2009). "A melhor coisa da vida é quando chegam e me dizem: ‘não acredito que você é aquela outra!’", diz ela, que já tinha uma carreira pavimentada no teatro quando, depois de várias participações especiais, recebeu um papel de destaque.

Nas graças da TV, ela acumula na Globo as funções de atriz e roteirista. Entre o drama e a comédia, é a viúva batalhadora de Araguaia ao mesmo tempo em que ajuda a escrever as aventuras insólitas de Os Caras de Pau, que volta de férias em abril. Já as férias dela serão curtas: 20 dias após o fim da novela das 6 ela começa a gravar Fina Estampa, de Aguinaldo Silva, que substituirá Insensato Coração, a partir de agosto. "Só sei que a personagem se chama Marcela e que é vilã. Por enquanto é só Janaína", diz ela, anunciando a conversa a seguir.

A Janaína é a mulher mais admirada de Araguaia, segundo pesquisas da Globo. Isso a surpreendeu?

Ela sempre foi uma personagem ótima. É uma mulher batalhadora, viúva, que cria um filho sozinha, é uma heroína popular que passa por muitos desafios. É forte, mas muito doce e também feminina. Por tudo isso, sempre tive a expectativa de que as mulheres fossem se identificar com ela. Mas quando veio o resultado do grupo de discussão e eu vi a admiração que as mulheres tinham por ela, foi como se dissessem: "está no caminho certo".

Você vê alguma relação com a Gabriela de Jorge Amado?

Acho que sim. É o DNA da mulher brasileira, uma mulher que é integrada à natureza, com menos frescuras urbanas. Uma coisa que eu trabalhei muito com a Janaína foi a questão de não ter pudor. Quando chegamos nisso, não é preciso mostrar o corpo para ele aparecer, porque fica natural.

É, ela não parece ter pudor, mas ao mesmo tempo não é uma safada.

Não, de jeito nenhum! O que acontece é que ela não é uma mulher castrada. Já tive vários banhos de rio na novela, e nenhum deles foi apelativo. Pelo contrário, acho que é só uma mulher se molhando.

A Janaína teve várias fases e ao longo da novela foi se desenvolvendo como mulher e empreendedora. Como está vendo a fase atual dela?

Você falou uma coisa muito bacana: sempre que parece que o (autor, Walther) Negrão vai resolver alguma questão da Janaína, ele vem com outra. Isso é muito legal para o ator. Acho que agora a questão dela passa a ser o casamento com o Fred (Raphael Viana), que é tão diferente dela. Acho que vai ser como os dois se viram nesse "felizes para sempre". É um amor muito lindo esse, que faz a pessoa querer ser melhor, progredir. Ela já passou dos 30, já teve filho... Não tem sapatinho, ela não é a Cinderela do Araguaia.

Mulher atriz e roteirista não é algo tão comum na TV, por que será?

Não sei o que acontece que as mulheres não escrevem tanto humor. Mas ao mesmo tempo, acho que é difícil para mulher, principalmente fazer um espetáculo de humor em que o texto seja dela.

Por quê?

Porque às vezes a gente fica sem graça de fazer certas piadas, né... (risos) Mulher tem de manter um certo mistério, e comediante não tem mistério nenhum.

Já parou para pensar qual é a sua pretensão como autora?

Acho que por um tempo as duas carreiras seguirão em paralelo. Mas acho que vai chegar o dia em que a autora pode prevalecer. Por enquanto, quem acorda e toma as decisões é a atriz. Nunca pensei, por exemplo, em escrever uma novela ou um longa, mas sei que é totalmente possível

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