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Costanza Pascolato e Marilu Beer lançam programa no YouTube

Amigas há 50 anos, elas fazem confissões, dão alfinetadas e gravam com câmera nos óculos no ar

João Fernando, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2014 | 19h09

"Periguete é uma nova raça brasileira." A análise poderia ser de um antropólogo, mas é uma das divertidas pérolas de Costanza Pascolato no programa Costanza & Marilu, em que a papisa da moda brasileira joga conversa fora em um sofá com a artista plástica Marilu Beer, sua amiga há 50 anos. Em um formato de pílulas de cinco a oito minutos, a atração chegará ao YouTube em 3 de abril, com cerca de 15 vídeos, que chegarão ao site duas vezes por semana.

Em casa episódio, as protagonistas, ambas com 74 anos, falam sobre diferentes assuntos e dizem o que dá na telha. "Eu estou com tão pouco filtro que meu neto me disse que corro o risco de apanhar. Eu disse umas coisas sobre uma pessoa, mas não é para acabar com a pessoa. É só porque falo tudo mesmo", diz Costanza. "Nós nos sentimos à vontade porque somos amigas há muitos anos. Sempre falamos tudo o que pensávamos. Não tem restrição. O que vem à boca, falamos. Somos duas senhoras de 74 anos e temos muita coisa para contar", completa Marilu.

O projeto é a primeira produção do Asas da Imaginação, um coletivo internacional de criadores de história e realizadores, que se associaram à Bossa Nova Films, que participa com a equipe técnica. A ideia surgiu em um dos inúmeros encontros da diretora Paula Trabulsi com as personagens-título na casa de Marilu. "Eu pensei: ‘Por que não coloco isso para todo mundo ouvir?’ Elas são mulheres mais velhas com ideias originais e que ainda estão no fluxo", relembra ela, que desenvolveu o programa com a jornalista Mônica Waldvogel, também amiga da dupla.

"Elas tinham prestado atenção que a gente fazia um número quando conversava", aponta Costanza. "Sempre faço show. Quando falo, quero chamar a atenção", interrompe Marilu. "A gente gosta de contar caso e tem muita historinha. E tem a coisa da idade. Eu já vivi tanta coisa divertida e interessante, em uma vida bacana. Lá, sou eu falando coisas que nem deveria contar", disse a consultora de moda, que, de Paris, fez uma teleconferência com o Estado e a amiga, em São Paulo.

O papo das duas passa por experiências com Truman Capote e Andy Warhol na Nova York dos anos 1960 e alfinetadas nas plásticas das amigas. "Acho horríveis essas velhas de 12 anos", diverte-se Marilu, com seu sotaque argentino. As conversas, às vezes regadas a uísque, que a artista plástica beberica, terminam quase sempre em gargalhadas. "O rir é civilizatório", ensina Costanza. "Isso que é preciso na vida: muito humor. Por isso, chegamos a essa idade muito bem", aposta Marilu.

Os episódios terão temas determinados por uma letra, seguindo a ordem alfabética. No dia do A, falarão sobre o agora. No B, sobre o Brasil, já que ambas são estrangeiras – Costanza é italiana. Entretanto, o tema é apenas um guia, pois quando o papo engata, elas mudam de assunto. "E tudo flui por causa da relação delas", explica Patrícia Weiss, também amiga da dupla e responsável pelo planejamento estratégico e transmídia.

Costanza & Marilu foi pensado para TV e internet. Apesar de o programa ainda estar em negociação com quatro canais, o lançamento acontecerá de maneira independente. Por enquanto, só a primeira temporada, que vai de A a E está gravada. Assim que o contrato for fechado, os episódios com as outras letras serão rodados. Estão previstas cerca de 70 edições, pois uma letra pode ocupar mais de um capítulo. Em cada vídeo, as duas aparecerão em sofás diferentes, escolhidos por Marilu. Um deles, emprestado por um antiquário, custa R$ 70 mil.

Tecnologia. Uma das inovações da atração, que tem direção de fotografia de Walter Carvalho (Amores Roubados) é a câmera glass, instalada em óculos que as duas usam para gravar na rua. "É o ponto de vista delas", diz Paula Trabulsi. Além do estúdio, Costanza circula por lugares como a Galeria do Rock e aparece em sua casa para mostrar como faz sua maquiagem.

"Com esses óculos, eu estava cega, tenho seis graus de miopia. Tive um certo enjoo. Na hora, eu pensava no resultado, mas não acertava muito o ângulo", diverte-se. A produção tentou adaptar a lente para a visão de Costanza, mas não foi possível. "Eu me senti uma grande cineasta", afirma Marilu, surpresa ao se ver na tela. "Adorei me ver. Eu tinha medo de fazer um papelão. Sou uma obesa e, ao me ver, me senti magra, uma Rolling Stone."

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