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Conheça 'One Punch Man', anime que estreou na Netflix sobre um herói poderoso demais

Animação apresenta uma sátira aos personagens superpoderosos

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2017 | 16h33

Saitama não é um herói como Batman ou Superman, dos quadrinhos ocidentais. Tampouco se assemelha aos personagens icônicos dos mangás. Isso porque o sujeito não se tornou um super por causas humanitárias, vingança ou qualquer outra motivação minimamente altruísta. Saitama, três anos antes, derrotou um vilão, meio homem, meio lagosta, e pegou gosto pela coisa. Estava desempregado e achou que seria divertida a vida de um super-herói. Treinou tanto até que seus cabelos caíram – literalmente –, mas passou do limite. 

No presente, quando tem início a história do anime One Punch Man, que chegou ao catálogo da Netflix neste mês, Saitama é invencível. Com um soco, os vilões mais monstruosos, os gigantes mais assustadores. E isso, segundo o próprio, “é um saco”. One Punch Man é, acima de tudo, a respeito de um herói entediado com a própria superioridade. 

Esse aspecto inédito da psique de um herói é o que chamou a atenção para o mangá lançado em 2009, no Japão, diretamente online. One Punch Man é, antes de tudo, um fenômeno da internet, como testemunhamos outros casos semelhantes em esferas diferentes da cultura, como música, cinema e TV. Havia um mistério em torno do personagem porque o quadrinho era assinado com o pseudônimo de One, uma personalidade enigmática que trouxe mais foco para esse herói de visual bem característico – a expressão de tédio e o topo da cabeça bem lisinha.

Em 2012, One Man Punch passou a ser republicado por uma editora maior e se popularizou de vez, deixando de ser indie para se tornar mainstream. Nos Estados Unidos, o estouro ocorreu em 2015, quando estreou a versão em anime (assim são chamadas a animações dentro da estética nipônica), com uma temporada de 12 episódios. No Brasil, por fim, os mangás chegaram no ano passado, quando a Panini passou a publicar as traduções. 

O recente anúncio de que uma segunda temporada está sendo criada é mais um motivo para mergulhar nos 12 episódios disponíveis na Netflix. E, ao fim deles, percebe-se que One Punch Man é muito mais do que a história desse herói entediado. De forma sutil, o anime é um retrato perturbador do caminho a ser trilhado pela humanidade. O que acomete o protagonista Saitama é a falta de desafio, o que pode ser comparado às facilidades da vida moderna. Celulares, compras pela internet, aparelhos cada vez mais inteligentes. A tecnologia chegou para facilitar a vida, mas está, aos poucos, eliminando o confronto. É o que sugeria o misterioso One quando criou seu personagem calvo e superpoderoso, em um oposto aos outros protagonistas de animes, cujo desafio os fazia crescer e evoluir. 

No fim, sabe-se que One Punch Man dará seu golpe fatal e o vilão sairá perdendo, mas o anime não trata disso. A complexidade está nos personagens complementares, nos inimigos e amigos de Saitama – esses, sim, em um conflito interno e externo diante de alguém tão poderoso. O anime inverte o jogo, tira o holofote do próprio protagonista. O que vale, nesse caso, não é como o vilão será derrotado – será, afinal, com um soco. 

‘Netflix dos animes’ já chegou ao Brasil 

O nome é uma brincadeira, mas ajuda a entender o que é o Crunchyroll, uma plataforma de vídeo por streaming, nos moldes da norte-americana, mas dedicada exclusivamente ao conteúdo asiático – são mais de 25 mil episódios de animes. A Netflix também tem um cardápio variado de animações, mas não chega perto do que o Crunchyroll oferece, já que os episódios são inseridos logo depois da exibição do Japão. Há duas opções de assinatura: a gratuita, com anúncios, e a premium, por US$ 4,99 mensais.

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