Congela a imagem, que a Malu vai atirar

Em tempos de séries policiais nacionais, a Globo espertamente revira seu baú para provar que foi pioneira no uso da estética cinematográfica capaz de explorar esse universo. Entre abril e junho de 1997, bem antes de Tropa de Elite, A Lei e o Crime (Record), 9 Milímetros (Fox/Moonshot) e da própria Força-Tarefa, atual série da Globo, uma certa Justiceira fez carreira no gênero - carreira que só não foi além de 12 episódios porque, para desespero do diretor Daniel Filho, à época, a protagonista engravidou e teve de deixar o set.

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 22h39

Naquele tempo, programa com menos de um ano em cartaz era considerado fracasso. Já para o padrão atual, 12 episódios de quase uma hora cada valem de sobra para uma temporada, e aí está ela em três discos, via Globo Marcas.

Em cena, Malu é Diana, policial que abandona o distintivo após atirar acidentalmente no parceiro de trabalho. Poucos anos depois, ingressa numa organização secreta de combate ao crime para reencontrar o filho, de 5 anos, entregue a uma quadrilha que trafica crianças pelo próprio pai (Angelo Antonio), como pagamento por dívidas com drogas.

Não que caiba paralelo entre os tiroteios de Diana e do atual detetive de Murilo Benício - embora José Alvarenga Jr., diretor de Força-Tarefa, estivesse na equipe de Daniel Filho em A Justiceira. Mas o roteiro de 12 anos atrás, obra de Aguinaldo Silva, Antonio Calmon e Doc Comparato, é infinitamente mais comovente que o atual. A tira de Malu deixaria o de Benício a comer poeira.

Filmada em 35 mm, A Justiceira traz ainda Nívea Maria, Anselmo Vasconcelos, Lui Mendes e Leonardo Brício, mais uma fila de gênios em participações especiais.

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