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Comendo a cena pelas beiradas

A atriz Cacau Protásio fala do sucesso de Zezé, doméstica impertinente de Avenida Brasil

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo,

30 de setembro de 2012 | 00h06

SÃO PAULO - Qualquer coisa que Zezé faça repercute. "Só Jesus na bicicletinha!", diz Zezé (um equivalente muito pessoal de "Ai, meu Deus do céu!"), e a frase já vira trend na rede. "Seu canário é bom, mas não canta!", vocifera Zezé, e todo mundo copia e repassa para os amigos.

E Zezé não é tonta, sabe que a coisa está boa para o seu lado. "Eu não acompanhava, sou meio bitolada nesse negócio de tecnologia. Mas aí resolvi abrir uma conta no Twitter para acompanhar, porque tava todo mundo falando", diz a atriz carioca Cacau Protásio, de 37 anos, que interpreta a empregada doméstica Zezé na novela Avenida Brasil.

O povo enlouqueceu no Twitter no dia em que Zezé foi "congelada" – nome que se dá ao recurso de encerrar a cena, na novela, com a imagem do personagem estático, em registro do tipo fotográfico. O fato foi comemorado quase como um gol do Corinthians na final da Libertadores.

A novela acaba no dia 19, mas Cacau sabe que sua personagem já ganhou a eternidade. Na semana passada, foi levar o sobrinho ao zoológico e não conseguia andar, de tanto assédio. "Não tive um minuto de sossego. Todo mundo me parava, pedia para tirar foto", diverte-se.

Zezé fez das suas de novo esta semana na novela. Para escoltar a dupla Tufão-Leleco até a favela onde vive, ela se "disfarçou" usando um lenço na cabeça. O povo morreu de rir. É mais ou menos o equivalente a tentar disfarçar o Fred Flintstone com um piercing.

O povo adora a Zezé nas ruas. Até gente muito esquisita a para e puxa assunto. "Uma mulher me chamou e disse: ‘Adoro a Carminha, ela é ótima! Não gosto é da outra!’ Aí eu perguntei: a Nina? Ela: ‘Não, a outra, a Mariana Ximenes’. Eu disse que a Mariana Ximenes não estava na novela e ela ficou brava, brigou comigo. ‘Tá sim! Tá sim!"

Cacau vive na Tijuca, no Rio de Janeiro. O sobrenome curioso, Protásio, vem da bisavó, que era italiana. Tem poucos artistas na família: além dela, atriz, há o dançarino Marcelo Chocolate, coreógrafo da comissão de frente da Mangueira e especialista em dança de salão. Chocolate estava no quadro Dança dos Famosos, do Faustão, dançando com Bárbara Paz (até que uma hérnia o colocou fora de combate por uns tempos).

Ela já tinha feito outra novela, Ti-Ti-Ti. Diz que é uma tímida clássica, mas que, quando conhece as pessoas, "vira bagunça". Agora, já é amiga de Adriana Esteves (Carminha) e Débora Falabella (Nina). Discutem juntas os "cacos" que enfiam nas cenas.

Cacau sabe que há décadas uma empregada doméstica (que não esteja envolvida afetiva ou eroticamente com o patrão) não tem protagonismo em novela. No máximo, umas falas de reiteração de uma cena, como legendas para deficientes visuais. Também tem consciência de que a relação de sua personagem com a patroa é meio doentia.

"A Carminha tem muito nojo da Zezé. É preconceituosa, mas acha que a Zezé é um mal necessário. O sonho de Zezé é ser a Carminha. Ela é mandada, é humilhada, é esculachada, e sonha em fazer isso também. É interesseira: se está se dando bem, fica naquele time. No momento, está em cima do muro, sabe que a patroa dela não é uma boa bisca, encontrou shorts de homem na casa onde ela estava, mas ainda não decidiu de que lado fica."

Sobre suas improvisações, os "cacos" que enfia nas cenas, e fortaleceram sua personagem, ela diz que é mérito do autor, João Emanuel Carneiro, um cara supergeneroso. "Eu também nunca procuro colocar o combinadinho na cena. No teatro e na TV, a gente pode fazer tudo que não faz na vida."

Toda vez que uma de suas invencionices vira hype, os colegas vibram. Zezé tem uma torcida fora e uma torcida dentro. "A equipe brinca muito comigo, os colegas me mandam mensagens", conta a atriz, que é fã do funk melody de Claudinho e Buchecha; de comédias românticas no cinema, como O Casamento do Meu Melhor Amigo; e de livros como o best-seller O Segredo, de Rhonda Byrne.

Ela também tem seus personagens preferidos na novela. Adora o Tufão, de Murilo Benício, por exemplo. "Porque o Tufão é fofo, de bom coração, faz de tudo pela família, o que inclui viver com uma mulher que não ama. É exemplo de pai, de homem, de honestidade, é o homem que toda mulher gostaria de ter como marido", considera.

Nos últimos dias, Cacau vive em regime de "internação" no Projac. Tudo é mantido em segredo para que o fim da novela não vaze.

No dia 13 de outubro, Zezé estreia no espetáculo Domésticas, no Teatro Sesi, no Rio. Quer dizer: Cacau Protásio estreia.

 

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