Comediante Joan Rivers morre aos 81 anos em Nova York

Apresentadora do programa 'Fashion Police' havia sofrido uma parada cardíaca na semana passada depois de passar por cirurgia

João Fernando, O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2014 | 16h16

A comediante Joan Rivers de 81 anos morreu nesta quinta-feira, 4, em Nova York. A apresentadora do programa Fashion Police havia sofrido uma parada cardíaca na semana passada depois de passar por uma cirurgia nas cordas vocais. Ela chegou a ser transferida da unidade de tratamento intensivo de um hospital para um quarto particular, mas não resistiu.

Perder o amigo não era uma preocupação de Joan Rivers, que não deixava de perder a piada. Conhecida pela língua afiadíssima por alfinetar famosos, a apresentadora norte-americana sempre teve por ofício fazer o público rir, nem que o alvo fosse ela mesma. "Nunca tenha medo de rir de si mesmo. No fim das contas, você pode estar perdendo a piada do século", dizia.

Os primeiros passos na vida artística foram nos anos 1950, quando se apresentou na peça Drifwood, peça em que fazia uma personagem lésbica ao lado da então desconhecida Barbra Streisand. Em seguida, fez performances de comédia em pequenos clubes de Nova York, que a levaram a aparecer pela primeira vez na TV no The Tonight Show, longevo programa nos Estados Unidos - hoje comandado por Jimmy Fallon, que na época era apresentado pelo lendário Johnny Carson.

Nos anos seguintes, a artista deu expediente de frente para as câmeras, em produções como The Ed Sullivan Show, e também como roteirista em outras atrações, como Topo Gigio. Ainda na década de 1960, ganhou seu próprio talk-show, exibido durante o dia, em que recebeu Carson. Quase 20 anos depois, amizade dos dois foi interrompida quando ela foi convidada pela Fox a ter seu programa para brigar pela audiência noturna. Joan foi banida do The Tonight Show até o começo deste ano.

O período de sucesso crescente, nos anos 1960 foi acompanhado pelas cirurgias plásticas, uma de suas marcas registradas por tê-las feito em excesso. No final dos anos 1970, Joan foi autora de telefilmes, entre eles Ele Vai Ter um Bebê, protagonizado por Billy Crystal. Criativa, ela também lançou um disco, indicado ao Grammy de melhor álbum de comédia, e livro de humor The Life and Hard Times of Heidi Abramowitz, sucesso de vendas.

Entretanto, a televisão foi só motivo de alegria para Joan Rivers. A humorista teve problemas com os executivos da Fox, que queriam demitir seu segundo marido, Edgar Rosemberg. Ao bater de frente com os patrões, os dois acabaram demitidos. Três meses mais tarde, seu amado cometeu suicídio, que ela declarou ter sido culpa da humilhação pela qual ele passou na emissora.

Após o drama pessoal, ela retornou à TV e ganhou um novo talk-show, que a fez ganhar um Emmy, troféu mais importante do mercado. Nos anos 1990, apresentou ao lado de sua filha, Melissa, um aquecimento para o Globo de Ouro, função na qual ela se aprimorou para trabalhos com o Fashion Police, seu último programa de TV, em que detonava as celebridades nos tapetes vermelhos nas premiações. Seus estudos nas faculdades de literatura inglesa e antropologia lhe deram material para alfinetar os famosos sem dó.

A partir dos anos 2000, Joan virou figura fácil na mídia e tornou-se um pastiche de si mesma em programas de TV e filmes, como na série Nip/Tuck. A multiartista, que chegou a ser indicado ao Tony, mais importante prêmio de teatro nos EUA, também soube capitalizar o personagem que no qual se transformou e liderava uma atração de televendas em que vendia joias da coleção que levava seu nome.

O prestígio como celebridade alcanço patamares tão altos que humorista foi uma das poucas norte-americanas a ser convidada para o casamento do príncipe Charles e Camila Parker Bowles. Nos últimos anos, havia enveredado para os reality shows. A loira participou da edição com famosos do Aprendiz e do Joan & Melissa: Joan Knows Best?, estrelado por ela e pela filha, em que as duas viviam às turras.

O reconhecimento global se consolidou mesmo no Fashion Police, exibido no Brasil pelo canal E!. A repercussão de suas tiradas era tanta que a atração era a única que a emissora não dublava, para manter a essência das piadas. Na produção, Joan destilava o veneno contra artistas. Sem se importar com os que se sentiram ofendidos, com  a cantora Adele, vítima de chacota por conta do excesso de peso, a apresentadora fazia questão de dizer que não se desculparia. Outro sucesso recente era o Na Cama Com, programa exibido no YouTube, em que recebia celebridades na cama de sua casa na Califórnia.

Entre as polêmicas nas quais se envolveu estavam piadas sobre o holocausto, criticadas por entidades. Judia, Joan Rivers declarou "assim que relembro as pessoas sobre o holocausto. Faço isso por meio do humor".  No recente conflito na faixa de Gaza, ele disse a um repórter que os civis palestinos mereciam ser mortos e depois afirmou que sua fala havia sido tirada do contexto.

FRASES MARCANTES DE JOAN RIVERS

"Antes de fazer amor, meu marido toma um analgésico"

"Se você não quer gays no exército, faça uniformes feios"

"Na minha idade, um affair do coração é o marcapasso"

"Se Deus quisesse que eu me curvasse, teria colocado diamantes no chão"

"Ter cara de 50 é som se você tiver 60"

"Boy George é tudo o que a Inglaterra precisa: uma rainha que não sabe se vestir"

"Elizabeth Taylor é tão gorda que põe maionese numa aspirina"

"Eu queria ter uma irmã gêmea para saber como sou sem plásticas"

"Os bebês parecem a Renée Zellweger pressionada em uma janela de vidro"

"Katie Holmes não é uma boa atriz. Você a viu interpretando a mulher do John F. Kennedy? Ela foi tão ruim que ele até atirou nele mesmo"

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