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Comédia e séries deram respiro à televisão em 2013

Ano não será lembrado pelas novelas, mas pela busca por novos roteiristas

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

27 de dezembro de 2013 | 20h14

Não, Félix não fez papel de Carminha, como acreditava parte da torcida da novela das 9 que sofreu com a apatia de Salve Jorge e mostrava-se carente de figuras carismáticas desde o fim de Avenida Brasil, em 2012. Félix não virou uma Carminha porque Amor à Vida não é Avenida Brasil, em que um conjunto de fatores fazia o êxito de Adriana Esteves. Desta vez, Mateus Solano está só. Ou quase. Carrega a novela nas costas, diante de uma mocinha que não fugiu à regra da chatice que acomete nove entre dez heroínas de folhetim.

 

 

Ah, sim, tem Tatá Werneck, a Valdirene, uma boa surpresa para o próprio autor, Walcyr Carrasco, que tinha planos de torná-la evangélica no meio do enredo e desistiu, a fim de aproveitar sua comicidade até entre as paredes do Big Brother Brasil, na qual a personagem vai parar agora.

Assim como seu ex-colega de Comédia MTV, Marcelo Adnet, Tatá foi lançada na Globo em programa de teledramaturgia. A expectativa por ele era alta demais e o enredo que o aguardava, na série O Dentista Mascarado, não pisava em terreno sólido como o do folhetim. Foi assim que ela surpreendeu e ele decepcionou, tendo ainda se apresentado em paródias de videoclipes do Fantástico e pequenas crônicas durante a Copa das Confederações, no mesmo show da vida, sem contudo entusiasmar a torcida.

Show da vida, aliás, é modo de dizer. A despeito de todos os esforços da Globo para variar o cardápio de sua revista dominical, a audiência da emissora despencou mais algumas migalhas este ano e as noites de domingo enfrentam a concorrência mais fragmentada da semana, diante de Pânico na Band, Domingo Espetacular, na Record, e ele, sempre ele, Silvio Santos no SBT.

O ano de 2013 trouxe de volta às noites de domingo a certeza de que humor ainda vale mais que drama no encerramento do fim de semana. A ressurreição do Sai de Baixo em quatro episódios, com o elenco quase original (Cláudia Jimenez e Tom Cavalcante não participaram), numa ação inédita na TV brasileira, foi iniciativa do canal Viva, em comemoração aos seus três anos de vida. A produção então acabou ganhando espaço na TV Globo, no mesmo horário em que nasceu e brilhou por seis anos.

O ano em que Gugu Liberato se retirou dos domingos termina com a troca de canal de Sabrina Sato, que deixa o Pânico, na Band, para estrear na Record.

E se o calendário que agora se encerra não for lembrado por seus folhetins, registre-se aqui a ousadia de Carlos Lombardi, o melhor autor de diálogos da nossa teleficção, com Pecado Mortal, na Record, e a afinação bem produzida entre texto, direção, elenco e direção de arte em Joia Rara, na faixa das 6 da Globo.

Para compensar uma dramaturgia por outra, nunca se fez tanta série para a TV no Brasil e nunca foi tão hercúleo o esforço em descobrir novos roteiristas. Incentivada pela lei 12.485, que exige cotas de produção nacional na TV paga, a TV aberta também se mexeu, e podemos enfileirar aqui, de uma sintonia a outra, títulos como Sessão de Terapia 1e 2, Copa Hotel 1 e 2 (ambos do GNT), O Negócio (HBO), Vida de Estagiário (Warner), Vai que Cola (Multishow), Pé na Cova (Globo), A Mulher do Prefeito (Globo), Agora, Sim (Sony), Destino Rio (HBO), Correio Feminino (Globo), As Canalhas (GNT), A Vida de Rafinha Bastos (Fox),  etc.

No campo infantil, enquanto os canais abertos puxam o freio – exceção feita ao SBT, com seus carrosséis e chiquititas – a TV paga se esmerou em live-action como Gaby Estrella e Detetives do Prédio Azul (Gloob), e animação como Historietas Assombradas para Crianças Malcriadas (Cartoon) , nova temporada de Peixonauta e até um mix de dramaturgia e animação, como Peixonáuticos (Discovery Kids).

A vasta demanda gerou ainda boas iniciativas na documentação da vida real, como A Verdade de Cada Um (NatGeo), Mulheres de Aço (GNT), Presidentes Africanos (Discovery Civilization/Band), nova temporada de Conexões Urbanas (Multishow) e o inovador O Infiltrado (History).

Webinterferência. Do humor à ficção seriada, a internet tirou a televisão da zona de conforto. Esquetes do Porta dos Fundos só ganharam mais público, endossando que o barulho da trupe no final de 2012 não era brincadeira de único verão. Se a Globo não conseguiu enquadrar o grupo como tal, tendo uma atração toda formatada por seu elenco, explorou ao máximo a presença de seus integrantes em atrações da casa – do programa da Fátima Bernardes ao novo Divertics, levando até Fábio Porchat ao Medida Certa, no Fantástico – e teve a coragem de retomar a série Junto & Misturado, que foge do humor Zorra Total e pisa em terrenos há tempos tratados pela emissora como politicamente incorretos.

A força da web na indústria do audiovisual não é particularidade brasileira, haja visto a indicação de House of Cards entre as séries finalistas ao Emmy, o principal prêmio da televisão mundial.

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