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Com Seu Jorge e Naruna Costa no elenco, 'Irmandade' discute o certo e o errado

Nova produção brasileira da Netflix estreia no dia 25 de outubro

Thaís Ferraz, especial para O Estado

09 de outubro de 2019 | 18h45

Em uma cena de batismo na fictícia facção Irmandade, Edson (Seu Jorge), com um olho quase estourado em uma sessão de tortura, instiga outros presos. “O certo é o certo”, diz e recebe de volta, em coro. A frase é também o título do primeiro episódio da série Irmandade, da Netflix, que estreia em 25 de outubro. 

Tudo acontece em São Paulo, em 1994. Vinte anos antes, uma pequena Cristina encontra maconha em casa e denuncia o irmão, Edson, para o pai, que chama a polícia. Edson é levado para a prisão, de onde não sai mais. A família não o visita uma única vez, e ele acaba se tornando líder de uma facção criminosa em ascensão, a Irmandade.

Já crescida, Cristina (Naruna Costa) se torna uma advogada honesta, que trabalha no Ministério Público e vê sua vida sair do lugar quando recebe, em mãos, um processo criminal contra o irmão que não vê há 20 anos. Ao descobrir que ele sofre tortura, Cristina falsifica a assinatura de uma promotora e é presa. Sua saída é virar informante da polícia e se infiltrar na Irmandade – a partir daí, personagens e público são provocados, a todo momento, a questionar suas crenças do que é certo ou errado. 

Em entrevista ao Estado, Seu Jorge e Naruna Costa afirmam que a série trabalha com personagens complexos. Edson, por exemplo, é definido como um homem ‘durão’. “Ele é muito amargurado, sente falta da família, nunca tem um momento ‘relax’”, explica Seu Jorge. Ao mesmo tempo, tem uma bússola moral: “Para ele, ‘o certo é o certo, e o certo nunca deu errado’. Ele segue essa ideia como um compromisso”. 

Irmandade não é baseada em uma história real nem representa uma facção específica. Em coletiva de imprensa, o diretor Pedro Morelli explica que o projeto foi desenvolvido com base em aspectos comuns das organizações.

A série também não se passa na atualidade – ainda assim, é fácil encontrar correlações entre as duas épocas. O porrete que os policiais usam para torturar Edson, por exemplo, leva a inscrição Direitos Humanos. Em 2015, uma arma igual foi encontrada em um Centro Socioeducativo da Paraíba.

Naruna afirma que, embora os elementos estejam na série, quem faz as conexões, na verdade, é o público. “A série não liga uma coisa a outra, ela traz várias referências históricas e nós estamos vivendo em um momento em que a poeira histórica está sendo levantada”, diz. 

Para Seu Jorge, a produção cumpre o papel de resgatar a história. “Nós temos hoje um país no qual boa parte da população nasceu já em um estado democrático de direito, e é importante que ela saiba que, em algum momento, isso não foi realidade. A mensagem que o Edson deixa é essa, da busca dos direitos”, afirma o ator e cantor.

Tradição

O Brasil tem uma forte tradição em filmes que retratam, de alguma forma, o mundo do crime. Por isso, uma das preocupações do diretor, Pedro Morelli, foi a de encontrar um novo ponto de vista. “Geralmente, eles são feitos a partir da ideia de um policial, ou um líder de facção, como protagonista”, afirma. “No caso de Irmandade, nós apresentamos a história a partir de outro ponto de vista: o de uma mulher negra, advogada, irmã de um líder de facção criminosa.”

O diretor afirma que a produção se baseia em dois pilares principais: o entretenimento e o debate de uma questão social. “O principal desafio era abordar uma questão única, complexa e espinhosa, como o universo das facções criminosas, com responsabilidade, mas de uma forma que não fosse maçante”, explica.

Representatividade

Seu Jorge afirma que o que mais o interessou no projeto foi o fato de a série ser protagonizada por uma personagem (e uma atriz) negra. “Quando fui convidado, pensei que dois atores negros numa série brasileira é algo muito importante. Quase não escrevem coisas para nós”, diz. “Ter 8 episódios como protagonista em uma série dentro do nosso universo, eu não perderia essa oportunidade.”

Naruna concorda. “Há uma qualidade, uma complexidade nos personagens. Para atores negros, nesse país, é algo muito raro”, explica. “Nós temos poucas oportunidades de ir tão a fundo assim em uma pesquisa.”

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