Ariela Bueno
Ariela Bueno

Com ‘Rua Augusta’, TNT estreia a sua primeira série brasileira

Produção estrelada por Fiorella Mattheis chega a TV nesta quinta-feira, 15

Pedro Rocha, ESPECIAL PARA O ESTADO

12 Março 2018 | 06h00

Um dos principais pontos de encontro de jovens paulistanos nos últimos anos, por seus bares, baladas, cinemas e lojinhas, tem sido a Rua Augusta, no Centro de São Paulo, que leva até hoje a fama de rua de prostituição, graças às várias casas noturnas que se estabeleceram no local desde a década de 1970. Das noites paulistanas para a televisão, a rua agora poderá ser vista na ficção numa série inédita e que leva o seu nome, a primeira produção brasileira do canal pago TNT. 

Rua Augusta, uma co-produção com a O2 Filmes, tem em sua primeira temporada 12 episódios de meia-hora. Na direção, Pedro Morelli e Fábio Mendonça, com roteiro de Ana Reber, Jaqueline Vargas e Julia Furrer. A estreia no canal está marcada para esta quinta-feira, 15, com episódio duplo a partir das 22h30.

A série é uma livre adaptação de uma produção israelense, Allenby St, e traz como protagonista a atriz Fiorella Mattheis, famosa por seu papel na comédia Vai Que Cola, do Multishow. Ela vive Mika, uma jovem de classe média alta de São Paulo, que sempre teve um relacionamento bem complicado com a família e resolveu, aos 15 anos, fugir de casa. Foi na Augusta que ela encontrou abrigo. 

O público conhece Mika 10 anos após a fuga. Apesar dos anos vivendo sozinha no Centro de São Paulo, ela nunca conseguiu deixar o seu passado para trás, e todas as lembranças voltam quando ela reencontra o seu irmão, de quem ela cuidava e, ao mesmo tempo, mantinha uma relação incestuosa na adolescência. 

“O maior desafio nessa personagem é colocar essa carga dramática do passado que ela carrega no olhar”, analisa Fiorella Mattheis, em entrevista ao Estado. A atriz comemora o papel, considerado por ela o mais intenso e profundo de sua carreira até agora. “O público vai ver uma Fiorella que ninguém viu, de uma maneira muito diferente e no meu projeto mais forte.” Ela define a sua atuação na série como “de entrega”. 

Além de trabalhar todo o drama da personagem, Fiorella fez aulas de poledance para a viver a sua personagem, que trabalha como uma stripper na Augusta. Além disso, a atriz, que é de Petrópolis, trabalhou com um fonoaudiólogo para perder o sotaque fluminense. 

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Quem cresce e mora em São Paulo acaba se relacionando de alguma forma com a Rua Augusta, seja para fazer compras em lojinhas alternativas ou mesmo para ver o dia amanhecer na saída de uma balada. Fiorella nunca teve essa vivência, mas para incorporar o espírito da rua, ela passou por um intenso laboratório. Em mais de um mês de preparação, ela frequentou os bastidores das casas noturnas de strip e teve contato com mais de 25 garotas que trabalham por ali. 

“A preparação foi maravilhosa,vi muito mais dos bastidores do que a ação de fato”, revela a atriz. “Fui nos camarins e conversei bastante com elas. O mais importante foi encontrar essa personagem dentro de mim.”

Fiorella conta que, na primeira vez que visitou a Rua Augusta, ficou tão impressionada que não conseguiu dormir. “Cheguei umas seis e meia da tarde. Vi elas se arrumarem, sair, voltar. Fiquei eletrizada com tantas coisas que vi e com as histórias que ouvi.”

A atriz, que agora se prepara para a sexta temporada do Vai Que Cola, considera Mika um presente. “Foi uma entrega muito grande, um mergulho profundo”, afirma. “Foi uma oportunidade maravilhosa, pelo contexto da obra, pelo roteiro e pela equipe.”

Ritmo. Para Fiorella, a gravação de toda a primeira temporada se assemelhou à de um filme, por ter uma equipe menor. Pedro Morelli, um dos diretores, afirma que a intenção foi mesmo essa. “Foi totalmente uma pegada de cinema, com equipe e jeito de filmar de cinema.” O cineasta, filho de Paulo Morelli, com quem dividiu a direção em Entre Nós, resolveu apostar em táticas não tão comuns na TV. “Preferimos filmar com a câmera solta, na mão, dançando com os atores. Queria deixá-los livres, inclusive para improviso.”

Paulistano, ele costumava frequentar festinhas jovens na Augusta quando era “moleque”. Para a série, porém, precisou revisitar o local, e adentrar às casas noturnas. “Fiz uma pesquisa na região. Dei muitos ‘rolês’ por lá.” Várias cenas de externa foram gravadas lá mesmo na Rua Augusta. 

Uma série que trata de prostituição e fala de incesto pode gerar polêmica, mas isso não preocupou os diretores. “A gente teve o cuidado de não pegar leve, de não ficar em cima do muro”, afirma Pedro. “Não queríamos medo ou fazer concessões. Como é TV a cabo, tivemos essa liberdade de fazer o que queríamos, sem nos preocupar com moralismo.”

O público, acostumado com formatos norte-americanos, pode estranhar ver uma série de drama, tão densa, em episódios curtos, de meia-hora. Lá, séries assim geralmente ocupam uma hora de grade. A divisão dos episódios, porém, agrada o diretor. “Além da parte dramática, a série tem muita ação, que já começa no episódio de estreia”, explica Morelli. “Os personagens têm muita urgência e a série está sempre acelerada. Por isso o formato de meia-hora de grade se encaixou bem. Ter essa série com mais tempo de duração não daria respiro ao telespectador.”

Uma segunda temporada da série ainda não é confirmada, mas já é conversada nos bastidores. “A temporada termina com uma abertura para uma próxima, mas ao mesmo tempo conclui a história para o público”, garante o cineasta. 

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