JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Com humor chapa branca, ‘Adnight’ decepciona

Marcelo Adnet prometeu ir além, mas optou pelo lugar-comum

Gabriel Perline, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2016 | 20h53

Foram quatro minutos de excitação plena, e outros 40 de expectativas frustradas. Marcelo Adnet estreou seu Adnight, na quinta-feira (25), com a missão de subverter o padrão Globo, desconstruir a imagem de alguns medalhões da casa, e provocar o riso do público. Mas nada disso aconteceu.

A abertura, muito bem executada, foi o ponto alto da atração. Adnet encenou um treino de boxe sob a orientação de Marília Gabriela, que engatou um jogo de perguntas rápidas. 

A caminho do ringue (palco), encontra Pedro Bial, que o cobre de frases motivacionais, bem ao estilo ‘eliminação do BBB’. Prestes a entrar na arena, é anunciado, em inglês, por Joel Santana. O apresentador começa a sua ‘luta’ com um rápido e sagaz número de stand-up. Por fim, anuncia seu primeiro convidado.

Entra Galvão Bueno, seu escolhido para ‘pagar micos’. Segundo o próprio narrador, em seus 42 anos de televisão, nunca enfrentou situações tão embaraçosas como as que foi submetido. São elas: responder a um quiz, pisotear uvas, dançar tango e disputar uma corrida de carrinhos infantis. 

A imagem de Galvão não foi desconstruída. Descobrimos que ele gosta de carne malpassada, que sabe dançar tango e que já esteve em mais de 60 países, mas nunca foi ao Egito. 

Tampouco fez rir. Prova disso é o uso da claque, desmascarada em uma cena em que o áudio expõe gritos frenéticos, mas uma falha mostrou a plateia calada e estática. Nas redes sociais, sim, houve muito barulho. Um coro de reclamações e meia dúzia de elogios.

Concebido como anárquico, Adnight não ultrapassou a empolgação de um bingo em festa junina. Marcelo Adnet é capaz de ir muito além. Ainda há 12 episódios para comprovar que é um dos melhores humoristas de sua geração.

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