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'Zona de Conflito' mostra a rotina e a vida das pessoas que vivem em área de risco

Histórias de guerra inspiram fotógrafo

Matheus Mans, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2017 | 19h35

Ao redor, caos. Na mão, uma câmera fotográfica busca registrar cada momento que passa despercebido: o medo, a angústia, as histórias, o choro, o olhar atento e inseguro. Esta é a vida de Gabriel Chaim, fotógrafo brasileiro especializado em zonas de guerra e que acaba de ganhar uma série documental de oito episódios, mostrando as dificuldades, as histórias e os desafios de seu trabalho em países que vivem em conflito, como Irã, Iraque, Paquistão, Egito e Síria.

“Quando ia trabalhar em zonas de guerra, sempre ficava atento às histórias das pessoas que moram por ali”, conta Chaim ao Estado. “Mas sempre quis contar essas histórias além da fotografia, usando uma linguagem descomplicada e que permitisse um fácil entendimento por parte do público.” Com essa premissa, a ideia de Chaim foi tomando forma e se concretizou com Zona de Conflito, série do canal History que acompanha o fotógrafo em regiões de guerra e mostra a vida das pessoas que ali moram.

“São histórias emocionantes e que não são descobertas facilmente pelas pessoas”, afirma o fotógrafo. No primeiro episódio, que será reprisado na segunda, 13, Chaim contou a história de Parwin, mulher sequestrada pelo Estado Islâmico e vendida como escrava várias vezes, antes de conseguir escapar. Hoje, ela vive em um campo de refugiados na região do Curdistão iraquiano. Apesar de segura, o medo ainda toma conta da jovem síria.

“É inacreditável que ainda existam mulheres sendo vendidas como escravas”, conta Chaim. “É esse tipo de história que quero contar para os brasileiros. Histórias impactantes para mostrar a realidade das pessoas e registrar que os problemas dessas regiões em guerra vão muito além do que nós vemos na televisão.” Nos próximos sete episódios, Chaim deverá conversar ainda com refugiados, líderes religiosos e políticos e moradores de regiões destruídas da Síria.

As dificuldades para gravar Zona de Conflito foram inúmeras. A primeira foi o medo de falar com a câmera. “Foi difícil ficar na frente, apresentando coisas que já faziam parte da minha rotina. É um dos principais obstáculos que superei.”

Nada se compara, porém, aos problemas enfrentados por conta das guerras. Logo na primeira semana, o fotógrafo brasileiro e a equipe de filmagem foram pegos atravessando ilegalmente o território turco para tentar chegar à Síria. Foram deportados e tiveram que refazer todos os planos para a gravação: ao invés da Turquia, iriam usar o Iraque para chegar à Síria – um trajeto mais difícil e perigoso, e que acrescentava centenas de quilômetros na viagem.

Além disso, a equipe ainda teve que enfrentar ataques de morteiros e explosões em áreas de risco. “O conflito pode ser o mesmo, mas as situações enfrentadas serão diferentes”, conta Chaim. “Estou acostumado a andar sozinho nas zonas de conflito, mas, dessa vez, estávamos em quatro. Tive que tomar conta da equipe, pois não queria ter um peso nas minhas costas caso acontecesse algo.”

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