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Com 70 anos, sitcom sobrevive às mudanças na TV

Comédia de costumes continua a atrair espectadores com o bom humor do gênero lançado no final dos anos 1940: diálogos rápidos e risadas ao fundo

AFP

23 Dezembro 2016 | 18h34

A televisão está em plena mutação, mas as sitcoms, séries de comédia com plateia e cujo formato se mantém quase inalterado há 70 anos, ainda sobrevive nos Estados Unidos, a exemplo de The Big Bang Theory, o programa não-esportivo mais visto na última temporada.

Longe dos mortos-vivos de Walking Dead, das disputas de poder de Game of Thrones e de séries dramáticas cada vez mais sofisticadas, a “situational comedy” continua a atrair espectadores com o bom humor do gênero lançado no final dos anos 1940: personagens e cenários recorrentes, situações cômicas pontuadas diálogos rápidos e por risadas ao fundo.

“O gênero está indo bem e espero que isso continue por um tempo”, afirma Martie Cook, professora de roteiro para televisão e cinema na Emerson College. Para ela, essa longevidade se deve ao fato de que as duas grandes molas do sitcom permanecem efetivas na sociedade de hoje: o humor e histórias que são muito semelhantes às nossas vidas diárias, articuladas em torno de uma família, seja ela biológica, recomposta, ou mesmo sem parentesco.

Para Doug Smart, diretor e produtor que filma a cada ano uma sitcom com estudantes da universidade de Asbury, “o truque, é criar membros desta família que façam remeter às lembranças dos telespectadores”, que se trate do tio chato ou do colega de trabalho. Com a proliferação dos suportes de vídeo, incluindo o surgimento do smartphone, e a produção de programas para nichos de audiência, o sitcom conserva uma função rara: reunir a família.

“São 30 minutos ou uma hora em que você pode se sentar com seus filhos”, observa Candace Cameron Bure, heroína da série Fuller House, da Netflix.

Mesmo a “geração Y” assiste a esse formato, atraída em parte por episódios de curta duração, de meia hora. “Talvez eles adorem o imaginário, como Game of Thrones, e o drama, mas eles gostam de comédias que estão mais próximas da realidade, com situações cotidianas”, observa Doug Smart.

Outra chave para o sucesso dos sitcoms: sua virtude relaxante. “A gente se senta”, diz Martie Cook. “Cortamos o estresse de nossas vidas. E rimos.” “Às vezes, só quero me sentar e rir de alguma coisa. Não quero pensar muito. E é exatamente o credo de Fuller House”, admite Candace Cameron, personagem central desta série. Entre as poucas evoluções do conceito, o fim das risadas pré-gravadas. Quando existem, vêm de uma verdadeira plateia durante a gravação.

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