Claudia Raia revive a extravagância dos anos 90 na nova novela das 7 da Globo

Claudia Raia revive a extravagância dos anos 90 na nova novela das 7 da Globo

Uma das estrelas da nova trama, 'Verão 90', a atriz fala como é voltar a viver na TV uma década de ouro em sua carreira

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2019 | 03h00

As gravações da nova novela das 7 da Globo, Verão 90, que estreia no dia 29, estão fazendo Claudia Raia voltar a um passado seu relativamente recente. A trama situa-se no Rio, na década de 1990, período importante na vida e na carreira da atriz, em que ela fez sucesso em novelas como Rainha da Sucata (1990) e na minissérie Engraçadinha (1995). O figurino de sua personagem Lidiane também faz Claudia lembrar do estilo bem extravagante que ela ostentava entre os anos 1980 e 1990, em que menos, definitivamente, não era mais.

“Era mais cabelo, mais brinco, mais ombreira. Fui uma mulher com essa temperatura. Eu era muito jovem, e já toda trabalhada no excesso e hoje, eu me vendo assim, falo: ‘meu pai do céu!’”, diz a atriz. “É muito divertido para pessoas, e elas têm bons sentimentos dos anos 80 e 90. Essa estética vir de novo no horário das 7, acho muito adequado, até para a gente ver como agora ficou chato, careta, para comparar. Eu que fui do humor, de Jô Soares até TV Pirata, me sinto hoje bem prejudicada de não poder falar, o humor não poder ter a liberdade de poder brincar com todas as coisas. A TV Pirata brincava com a TV, ninguém tinha feito isso.”

Apesar de estar nos anos 1990, Lidiane carrega muito da década anterior com ela. Inclusive, no modo de vestir. “Acho que ela não fez a passagem para os anos 90, porque o dinheiro não deu. Então, ela vai reformando as roupas dos anos 80, mantém as cores, as estampas”, comenta a atriz. “Toda vez que estou me maquiando, me arrumando para fazer a Lidiane, vem uma memória, de novo aquele cabelo crespo meio poodle. Estou voltando no tempo e naquele mesmo cenário dentro da TV Globo. É muito louco, e tento passar para os jovens que estão comigo o que era isso, tempos frutíferos, com gente criativa, que época bacana.”

Ex-estrela da pornochanchada brasileira, conhecida como Lidi Pantera, Lidiane é uma figura espalhafatosa e sem noção, tipo de personagem que Claudia sabe interpretar com perfeição: basta lembrar de Adriana, de Rainha da Sucata, e, voltando um pouco mais para trás, de Tancinha, da novela Sassaricando, de 1987.

Lidiane largou a carreira após engravidar e dar à luz a filha Manuzita (Melissa Nóbrega/Isabelle Drummond). Na infância, Manuzita faz parte do grupo infantil Patotinha Mágica (uma referência ao Balão Mágico), ao lado dos irmãos Guerreiro, João (João Bravo/Rafael Vitti) e Jerônimo (Diogo Caruso/Jesuíta Barbosa), e o trio vira um fenômeno nacional durante a década de 1980. Com o fim do grupo e a passagem da década, no entanto, a fama dos três vira coisa do passado. 

A transição de uma década para a outra é feita logo no primeiro capítulo da novela. Nos anos 1990, já jovens, Manuzita, João e Jerônimo seguem trajetórias diferentes. Filhos de Janaína (Dira Paes), outra mãe batalhadora, João (Rafael Vitti) faz faculdade e apresenta um programa de rádio e Jerônimo (Jesuíta), inconformado com o ostracismo, busca, a qualquer preço, reconquistar o sucesso. Vilão da trama, Jerônimo alimenta uma rivalidade contra o irmão.

Já Manuzita tenta emplacar como atriz, mas a garota não tem talento para isso. Algo que sua mãe não enxerga. “A filha é uma péssima atriz, mas a mãe não acha que ela é isso. A Isabelle (Drummond) está mostrando um lado que ela nunca fez em lugar nenhum. É muito engraçado, você ver a Isabelle fazendo uma péssima atuação já é divertido de cara, porque ela é ótima atriz, e fazendo comédia, repetindo essa mãe, as duas que nem loucas pra lá e pra cá”, conta Claudia.

“Estou tentando fazer a Lidiane extremamente passional, ela tem um amor por essa filha acima de tudo e todos, não é porque ela ganha dinheiro com a filha. Ela sabe que a filha vale, do talento dela, de não deixar ela subserviente a homem nenhum. A gente está indo por esse caminho. A Lidiane é inadequada, faz coisas erradas na hora errada, acaba prejudicando a filha, embora ela não queira, e ela chora por causa disso, é muito humano.” E enquanto Manuzita não é “reconhecida” como atriz, Lidiane, que cuida da filha sozinha, se vira para sustentar a casa, fazendo bicos e dando aulas de jazz. 

Sempre que interpreta uma mãe em novela, Claudia Raia – que é mãe de verdade de Sophia e Enzo – leva os filhos da ficção para sua vida. Assim foi com Paolla Oliveira, Mariana Ximenes, Fernanda Souza, Marcella Rica e Cauã Reymond. Agora será a vez de Isabelle integrar sua prole? “São minhas filhas de coração. Está rolando certo ciúme, estou dando uma driblada com a Isabelle. Já estou ‘in love’ total com ela. Agora é enteada, sobrinha, para depois eu promovê-la”, diverte-se a atriz. 

De Izabel de Oliveira e Paula Amaral, Verão 90 tem direção artística de Jorge Fernando, amigo de Claudia há mais de 30 anos – e que, aliás, esteve à frente de produções de sucesso na Globo nos anos 1990.

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