Clássico de Capra,a essência do Natal

Frank Capra ganhou três vezes o Oscar nos anos 30: em 1934, por Aconteceu Naquela Noite; em 1936, por O Galante Mr. Deeds; e, em 1938, por Do Mundo Nada Se Leva. Mas em 1946, quando talvez mais merecesse o prêmio, por A Felicidade não Se Compra, a Academia de Hollywood preferiu premiar o realismo social de William Wyler em Os Melhores Anos de Nossas Vidas. Após a 2ª Guerra, o mundo e o cinema passaram por uma transformação e os truísmos de Capra passaram a ser relegados ao passado.Poucos diretores, em toda a história do cinema, foram tão incensados. O ítalo-americano Capra parecia encarnar tudo: Hollywood, a comédia, o próprio sonho americano do imigrante triunfante. Depois, virou moda contestá-lo. Capra encarnou o espírito reformista do New Deal de Roosevelt. Seus discursos sobre o valor da democracia e o dinheiro que não traz felicidade tornaram-se obsoletos e foram até ridicularizados.Será justo? Não. Capra, independentemente de seus truísmos, foi um grande entertainer. Fez filmes que até hoje nos divertem e encantam. Se fosse preciso selecionar um, e apenas um, seria A Felicidade não Se Compra. Nenhum outro filme resume melhor o que seja o espírito - verdadeiro - do Natal. James Stewart faz o herói que pensa que falhou e que sua vida é um fracasso. Ele pensa até em se matar, mas seu anjo da guarda surge para lhe mostrar o que teria sido o mundo - e as vidas de outras pessoas - se ele não tivesse existido. O filme é uma fábula, mas é uma fábula maravilhosa.

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