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Cineastas dão seu olhar sobre a Copa em série de TV

Com curadoria de Jorge Furtado e Norma Goulart, ‘A Copa Passou por Aqui’, do SporTV, reúne 11 curtas-metragens

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

19 Dezembro 2014 | 19h26

Depois daquele 7X1 que nos tirou de campo e da turbulência das eleições, convém encerrar o ano lembrando que, afinal, foi bonita, a festa, pá. Parceria entre o canal SporTV e a produtora Casa de Cinema de Porto Alegre, a série A Copa Passou por Aqui estreia neste sábado, 20, às 21h30, retratando a celebração (ou não) daqueles dias em que o futebol serviu de pretexto para que o mundo voltasse seus olhos ao Brasil. Com curadoria de Nora Goulart e Jorge Furtado, o programa reúne 11 curtas-metragens de 11 cineastas em oito Estados, cada um registrando seu olhar local para o entorno do mundial.

O time inclui os atores Lázaro Ramos, que em Salvador fez Tudo ou Nada em Soterópolis, e Leandra Leal, que filmou, no Rio, o curta Aquele Abraço. A lista se completa com Adirley Queiroz (DF – Meu nome É Maninho), Beto Magalhães (MG – Guerra de Gigantes), Davi Pretto (RS – Como se Vive, Como se Torce), Esmir Filho (SP – Copa de Botão), Jorane Castro (PA – O Time da Croa), Kleber Mendonça (PE – A Copa do Mundo no Recife), Maria Augusta Ramos (RJ – Ritos), Tata Amaral (SP – Pedra Que Dorme, Pedra que Canta) e Vicente Moreno (RS – Depois da Avenida). 

Cada episódio soma 30 minutos, divididos entre o curta e uma entrevista com cada diretor, feita por Furtado. “Quando o SporTV convidou a Casa de Cinema para fazer uma série sobre a Copa, eu e a Nora achamos que era uma oportunidade ótima levar para a televisão jovens cineastas de várias cidades brasileiras, cada um contando da sua forma como a Copa passou pela sua cidade”, conta-nos Furtado. “Nada é mais midiático que a Copa, milhões de documentários foram feitos sobre o evento, mas a gente queria uma visão totalmente diferente, um ponto de vista inteiramente novo.”

Nora e Furtado escalaram o grupo, com criação livre sobre o tema, fazendo apenas restrição ao tempo de duração. “A gente queria que fosse uma coisa bem autoral. Fiquei muito surpreso com o resultado, não imaginei que pudesse ter tantas versões e visões diferentes em cada cidade. O ritmo é diferente, a lógica é outra. O cinema não é tão falado quanto a TV, e as diferenças aparecem no enquadramento.”

Esmir Filho volta seu foco para um campeonato de botão, em São Paulo, abordando a visão dos estrangeiros sobre o Brasil. Já do Pará, por onde a Copa não passou, Jorane mostra um time de pescadores que fica dois ou três dias na água e sempre leva uma bola a bordo. Quando encontram um banco de areia, ancoram o barco e se põem a jogar bola.

Em Brasília, Queiroz, cineasta que foi jogador de futebol e já coleciona prêmios, encontra um vendedor de água de Ceilândia. “Uns vão mais para o drama, outros, para a comédia, é um painel do Brasil e dos cineastas novos, com novas maneiras de filmar.”

Aquele Abraço, de Leandra, foi feito com imagens das câmeras dos turistas, resultando na visão do viajante. “Agora todo mundo tem uma câmera no bolso, tem os chilenos e americanos mostrando seus próprios pés, com Havaianas. Um deles diz: ‘Isso é o som do Brasil pra mim’.”

Na Bahia de Lázaro, tudo é festa. Até um parto foi filmado no meio do jogo. Já os filmes dos gaúchos Davi Preto e Vicente Moreno são “mais tristes”. Davi mostra que o modo de torcer muda de acordo com o poder aquisitivo da família. De São Paulo, Tata aborda a construção do Itaquerão e a expectativa da vizinhança em ganhar dinheiro alugando casas para turistas. “Botar o cinema em contato com o público do SporTV foi coisa que nos animou muito”, conclui Furtado.

A Copa Passou por Aqui vai ao ar de segunda-feira a sábado, sempre às 21h30.

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