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Do cinema à televisão, filmes percorrem intervalos cada vez menores

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2013 | 11h15

Perdeu As Aventuras de Pi, Oscar de direção, no cinema? Tudo bem. O filme, lançado no Brasil em dezembro passado e disponível em DVD desde maio, desembarca no Telecine Premium em 21 de setembro. Pi também já era oferecido nas plataformas de vídeo sob demanda, serviço que vem dizimando as últimas locadoras sobreviventes de um cenário onde os intervalos que distanciam o filme no cinema de sua estreia na TV são cada vez menores.

Se o tempo de trajeto do cinema à TV aberta foi reduzido, o número de etapas multiplicou – e as chances de faturamento, idem. Antes de chegar ao canal não pago, o filme multiplica sua bilheteria no menu sob demanda da TV, chega aos canais pagos tipo premium – entre cinco e oito meses após deixar o cinema – e ainda ganha outros milhões ao estrear nos canais de filmes de pacotes mais baratos. E nem estamos considerando ainda audiência pirata.

Sim, o período em que um filme fica em cartaz no cinema se reduz na mesma proporção em que suas chances de faturamento aumentam. Qual é a mágica? As várias oportunidades dadas ao público para consumir aquele título. Sua chance de assisti-lo na telona de sala escura diminuiu, mas multiplicaram-se as chances de vê-lo no conforto do seu lar dali a poucos meses, com som e imagem de alta qualidade e pipoca infinitamente mais em conta.

Do cinema à TV linear, cuja porta de entrada são os canais de filmes premium (Telecine e HBO), podem se passar menos de seis meses. E, quando chega ali, o filme já passou também pela oferta em plataformas de vídeo sob demanda e pela venda em DVD. Antes de desembarcar numa Globo, SBT ou Record, ele ainda será visto por outros milhões de pessoas nos canais pagos de pacotes básicos, onde está a esmagadora maioria dos 17 milhões de assinantes que fazem a plateia da TV paga no Brasil alcançar mais de 50 milhões de pessoas – reflexo dos cálculos do IBGE para o número de pessoas por domicílio.

“As pessoas não vão ao cinema ver todos os filmes, veem muito mais filmes em casa”, diz Sóvero Pererira, gerente geral do Megapix, canal da Rede Telecine oferecido em pacotes básicos de TV paga e que soma 8 milhões a mais de assinantes que os pacotes premium. O Megapix nasceu há cinco anos, justamente de pesquisas que apontavam uma demanda para esta janela de exibição entre o canal premium e o aberto. Outras programadoras já usufruíam dessa etapa, como Fox, Turner (TNT) e Sony, mas não o Telecine, que na criação do Megapix conseguiu manter dentro de seu quintal as benesses dos assinantes básicos para as parcerias que tem com os maiores estúdios de Hollywood, como Universal, Fox, Paramount e Disney.

“Os tempos de exibição são mais curtos, mas o filme consegue uma carreira de sucesso em cada janela dessas”, completa Sóvero. “E faz recorde de audiência em cima de recorde de audiência, a ponto de chegar à TV Globo e ser de novo recorde de audiência”.

Um bom exemplo de longa-metragem que foi feliz em todas as suas etapas é Bruna Surfistinha. “Bruna deu alegria a mim, ao Telecine, à bilheteria de cinema e também à Globo: deu felicidade a todos.”

Somados em vários canais, os filmes aparecem nas pesquisas do Ibope como fator que mais potencial tem para atrair assinantes de TV. Filmes de ação encabeçam as preferências, seguidos por comédias.

Custo. A grife HBO também tem seu canal de pacotes básicos. É o Cinemax, recentemente mais bem posicionado como tal. Um pacote com Cinemax ou Megapix pode sair de R$ 27 a R$ 100 a menos que as opções com Telecine Premium e HBO, a depender da operadora. Algumas empresas também facilitam a toda a base de assinantes, independentemente do pacote, acesso ao menu de Vídeo Sob demanda, onde o filme chega antes de desembarcar no canal premium e é cobrado a la carte.

No Now, plataforma do gênero da Net, maior operadora de TV paga do País, já estão disponíveis filmes como Lincoln e Os Miseráveis e o custo esbarra no teto dos lançamentos das locadoras que ainda existem – R$ 11,90 a diária. Na Sky Online, plataforma de TV everywhere da Sky, via streaming, e no Now, o lançamento do mês é O Voo.

Para o gerente de marketing do Now, Alessandro Maluf, os fatores que determinam os intervalos entre uma janela e outra depende da bilheteria no cinema e da expectativa de público para sua chegada à TV.

“Os prazos vêm se reduzindo cada vez mais, muito também em função de se aproveitar o investimento de marketing que ele já teve no cinema. Quando ele começa a ser alugado pelo controle remoto, a campanha ainda está fresca na cabeça das pessoas”, diz Maluf.

Em suas contas, um filme chega ao Now apenas de quatro a seis meses depois de passar pelo cinema. Fica por ali em torno de três meses e depois segue para o canal premium.

Se o filme for nacional, então, a chegada à TV é ainda mais breve. Do cartaz nas salas grandes ao canal básico Megapix, Cilada, de Bruno Mazzeo, percorreu pouco mais de um ano. Até que a Sorte nos Separe chegou ao Telecine Premium seis meses após ter sido visto no cinema.

Sem canibalismo. Nem Maluf nem Sóvero veem a multiplicidade de opções da TV como risco de canibalizar as bilheterias de cinema. “O público de cinema é ainda menor que o da TV por assinatura”, lembra o gerente do Megapix. “Um filme no cinema, quando chega a 1 milhão, é um sucesso. E um filme só vai ter boa audiência na TV se tiver ido bem no cinema”, fala.

Isso leva o canal a fazer chamadas gratuitas para os longas que estão em cartaz no cinema. Quando estreia na telona uma segunda parte de qualquer título, a emissora anuncia a novidade, instiga o público a ir vê-lo e aproveita para programar a primeira parte da saga em sua grade. Segundo ele, o resultado para a audiência do canal é batata.

Antes que 2013 acabe, o espectador dos pacotes premium pode esperar por Batman: O Cavaleiro das Trevas e Sombras da Noite (HBO), e por Intocáveis e João e Maria (Telecine), entre muitos e muitos outros títulos.

Parâmetro

17 milhões

de assinantes de TV paga há no País hoje, mas a grande maioria tem pacotes

básicos – um canal como o Megapix soma até 8 milhões a mais que um premium

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