Cinderela tem ressaca no 'felizes para sempre'

A cara da Cinderela ao abrir os olhos na manhã seguinte ao "felizes para sempre" me persegue desde criança. Quais teriam sido suas primeiras deliberações como princesa? Recebeu flores, massagens, chocolates? Fumou um cigarro?

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2009 | 00h33

Mais difícil do que conseguir um príncipe é mantê-lo. Por isso, o "felizes para sempre" de Maya (Juliana Paes) em Caminho das Índias é tão sofrido. Ela casou com o Raj (Rodrigo Lombardi), mas quem disse que é fácil manter o príncipe? Apesar de estar com o risco do casal perfeito nos olhos, a mulher vive esbaforida e suando frio, com medo de ser descoberta (casou grávida do Bahuan e agora teme que o marido descubra que não é pai do Niraj).

Sai o drama da mulher que procura um homem; entra o drama da mulher que já encontrou o homem e agora tem de defendê-lo das ameaças externas por mais 200 capítulos - ufa. É a síndrome do "cheguei lá e agora?" ou a confirmação da máxima "homem bonito dá muito trabalho".

E é justamente por ter achado o "felizes para sempre" um tédio, que o bocó do Raul (Alexandre Borges) está vivendo de sanduíche de mortadela em Dubai, depois que a amante psicopata lhe roubou todo o dinheiro e fugiu com o personagem do Odilon Wagner. Isso, depois de ele simular a própria morte, abandonando mulher e família. Ele explicou para o Gopal (André Gonçalves) que se deixou levar pela Yvone (Letícia Sabatella) porque estava entediado na vida perfeita - taí, simular a própria morte é remédio antimonotonia no "felizes para sempre".

O Raul é um chiliquento egoísta. Mas admito que é de cortar o coração a imagem do Alexandre Borges jogado na sarjeta, ainda mais com camiseta de decote V. Mais um acerto da figurinista Emília Duncan: aquela camiseta é elemento cênico fundamental para que o Raul não sofra um linchamento da audiência! O personagem tem sorte de ser carregado por um membro do seleto grupo de homens que podem usar gola V impunemente até depois dos 40 anos, sem levantar boatos. De improviso, só três homens vêm à minha cabeça: Dado Dolabella que, enfim, tem todo aquele passado; Barack Obama, que dá golpe de caratê em mosca; e o meu namorado, cuja identidade não vou revelar para manter o meu "felizes para sempre" longe de ameaças.

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