Iara Morselli/AE
Iara Morselli/AE

Chico para lembrar

Canal Viva exibe especial com depoimentos para marcar um ano da morte do humorista

João Fernando, O Estado de S. Paulo

17 de março de 2013 | 21h47

RIO - Em 80 anos de vida, foram tantos personagens que cada pessoa tem uma lembrança diferente do rosto de Chico Anysio. As centenas de feições do humorista vão ressurgir no Reviva especial, que o canal Viva exibe hoje, às 23 horas, para marcar um ano da morte do comediante. Além de imagens de arquivo, o programa traz depoimentos de parentes, atores e diretores que trabalharam com o artista, como Paulo Silvino, Heloísa Périssé e Maurício Sherman, hoje responsável pelo Zorra Total.

Herdeiro de Chico, Bruno Mazzeo, que também participa da atração, acredita que não há substituto para o pai. "Acho muito difícil. Por tudo o que ele fez. Foi o primeiro humorista a ter um programa sozinho em que fazia todos os personagens. Ele revolucionou o videotape, fazia cenas em que conversava com ele mesmo. Foram muitas revoluções. É impossível fazer história como ele fez", disse ao Estado.

Também ator e roteirista, Mazzeo conta que segue à risca os ensinamentos do pai. "Aprendi com ele o cuidado com o texto. Ele fazia a matemática da piada, cabia pouco improviso no que ele escrevia. Ele sempre teve respeito ao humor, tratava como se fosse poesia. Assim como ele, sempre fui profissional, aprendi a chegar na hora e com o texto decorado."

O humorista compara sua época com a do pai, em que o politicamente correto não era um problema. "Não havia essa coisa chata. Hoje, existe uma encheção de saco, antigamente tinha a censura, que era preciso driblar para não ser preso ou para o seu programa ir ao ar", analisa. Autor de textos para a TV e cinema, Mazzeo se faz das mesmas artimanhas do humor de Chico Anysio para passar sua mensagem.

"Sabendo usar, o humor é uma arma do povo, da sociedade, em defesa dela mesma. Quando fazem piadas com políticos, a sociedade se sente vingada. Mas, se for humor para sacanear fulano, qual a vantagem? O pessoal do Porta dos Fundos faz humor absolutamente politicamente incorreto. É feito de maneira tão inteligente e engraçada que ninguém se incomoda", avalia.

Entre os programas antigos que serão relembrados estão Chico City, Chico Anysio Show e Escolinha do Professor Raimundo - atualmente reprisado no Viva -, humorístico em que Bruno Mazzeo começou a dar expediente com o pai, como roteirista. "Eu era meio café com leite, tinha uns 14 anos e fazia uns programas de TV caseiros. Na época, o Boni (então vice-presidente de Operações da Globo) sugeriu que eu ganhasse um cachê simbólico para cada texto aprovado", relembra ele, hoje com 35 anos.

Em seguida, Mazzeo foi escalado para a equipe do Chico Total, em que assinava os roteiros e também criava novos personagens, como o quadro que fazia uma sátira de Caetano Veloso e Gilberto Gil, sucesso na atração. "Naquela época, trouxe para trabalhar comigo roteiristas que hoje escrevem outros programas, como A Grande Família e até novela. Foi o último trabalho assim com meu pai, pois fui escrever o Sai de Baixo."

No Reviva, Mazzeo falará sobre os momentos divertidos ao lado de Chico, quando ficava atrás das câmeras apenas para se divertir. "Desde criança, eu ia às gravações, que aconteciam na Cinédia, mesmo estúdio onde eram feitas as chanchadas da Atlântida. Como tudo era às segundas e terças, eu só ia nos feriados porque tinha colégio. Mas eu acompanhava meu pai nos shows que ele fazia pelo País."

Longe da TV desde o fim da novela Cheias de Charme, que terminou no fim de 2012, Bruno Mazzeo se dedica a escrever projetos para teatro e cinema. "Estou fazendo o roteiro do Muita Calma Nessa Hora 2, que começo a rodar em junho. Estamos na fase de leitura", conta ele, que confirma a presença de Marcelo Adnet no longa. O ator, porém, deve demorar para fazer novela. "Estou dedicado a outras coisas. Em uma novela, tenho de deixar de lado a minha parte criativa. Tem de ser no momento que caiba."

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