TLC/Divulgação
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Chef Bel Coelho prova carne de macaco e arara em 'Receita de Viagem'

Série documental do TLC, coproduzida com o canal Arte mostra culinária regional brasileira e com pratos tradicionais e exóticos

João Fernando, O Estado de S. Paulo

04 Março 2015 | 03h00

 Em vez de fazer as malas e sair em busca de paisagens incríveis, a chef Bel Coelho rodou o País à procura de sabores diferentes. As iguarias locais serão mostradas no Receita de Viagem, que estreia na sexta, 6, às 22h20, no canal TLC. 

Apesar do nome, ela avisa que a ideia do programa é conhecer ingredientes brasileiros, sem necessariamente aprender a fazer os pratos. “Não tem um passo a passo, nem falo as quantidades de ingredientes. É para mostrar a culinária brasileira naquela região. E não é só o tradicional ou só o exótico, são os temperos de cada lugar”, explica. 

Executada pela Grifa Filmes, a atração foi coproduzida pelo canal franco-alemão Arte e já foi exibida na Europa. “Lá, o tempo é mais lento, mostramos a relação dos personagens”, conta Bel, que nos 20 episódios teve ajuda de habitantes de lugares como Bonito, em Mato Grosso do Sul, e Pirenópolis, em Goiás, para contar a história de cada prato degustado por ela.

Embora o programa trate exclusivamente da culinária nacional, Bel diz que o público tupiniquim verá novidades. “Há muitos ingredientes desconhecidos. Cada pessoa vai identificar o da sua região, pois é o que comem naquele lugar”, defende a chef, que rodou episódios em São Paulo, onde mora. “Fiz um sobre a imigração japonesa e árabe. Foi mais livre, também fui a lugares que gosto, como Mocotó e uma loja de queijos na Vila Madalena”, relembra.


Na etapa amazônica do Receita de Viagem, Bel encarou desafio digno de participante de reality show de sobrevivência. “Com os índios ianomâmis, comi macaco e arara. Como é uma reserva indígena (em Roraima), eles têm direito a caçar o que quiserem”, reforça. A chef não hesitou em provar a iguaria. “Seria uma ofensa se eu não aceitasse. E eu estava curiosa”, disse ao Estado, por telefone. Ela acredita que a aventura valeu. “Não tem tempero, é cozido na água. O interessante é a experiência antropológica. Eles dividem a comida, ninguém recebe mais do que o outro. É um senso de coletividade que a gente não tem”, compara.

Outro momento de coragem foi quando provou turu, molusco do mangue da Ilha de Marajó, no Pará. “Comi cru. Não ia deixar de provar. E não sabia que estava grávida”, conta. Bel Coelho se surpreendeu ao degustar frutos do jatobá. “É uma farinha que tem cheiro de chulé, mas na boca é incrível, parece com leite em pó ou chocolate branco.”

Durante as gravações, a chef, que estudou gastronomia em Nova York e fez pesquisa em diferentes países europeus, passou momentos bem diferentes do dia a dia na cozinha. “Foram muitas vans, ônibus, espera em aeroporto. A gente também atolou na estrada”, enumera ela, que não reclamou: “Qualquer viagem tem isso”. Segundo Bel, os sabores descobertos devem ser incorporados em suas futuras invenções culinárias. “Em termo de técnica não, mas me inspiraram a criar novas receitas.”

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