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Charlie Sheen não volta e Two and a Half Men tem fim decepcionante

Produtor executivo Chuck Lorre tem a sua vingança pessoal contra o ator, mas esquece dos telespectadores

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2015 | 16h41


Na rixa entre o produtor executivo Chuck Lorre e o ex-astro Charlie Sheen, quem perdeu foi o público de Two and a Half Men. Nem mesmo o episódio final da série com atores mais duradoura da atualidade, com 12 temporadas, exibido na quinta-feira, 19, nos Estados Unidos, foi capaz de redimir os arrastados quatro últimos anos, nos quais o personagem do ator, também chamado de Charlie, foi substituído por um inexpressivo Ashton Kutcher. Atenção: o restante do texto contém spoilers. 

Lorre conseguiu reunir os atores importantes ao longo dos anos, para o desenvolvimento da trama da série e ainda chamou Arnold Schwarzenegger e John Stamos, para participações especiais, mas a ausência da principal estrela do seriado, Charlie Sheen, ofuscou qualquer outra estrela de brilhar. Após o episódio, o produtor executivo apresentou uma carta na qual defendia que Sheen não havia gostado da versão final da série e se recusado a participar. 

Um erro primário do último episódio foi o excesso de autorreferências ordinárias e de humor barato. Lorre decidiu sair por cima, como se fosse muito maior e mais sagaz do que o programa no qual ele cuidou com mãos de ferro por mais de uma década. O tiro saiu pela culatra e o atingiu em cheio: Lorre comprova que a fórmula das suas sitcoms está fadada ao esgotamento e nada parece mudar isso. 

A presença de Angus T. Jones, novamente como Jake, o filho de Alan Harper (Jon Cryer) e sobrinho de Charlie (Sheen), depois de ter se convertido e publicado um vídeo no qual chamava o seriado de “sujo”, foi extremamente protocolar e ineficiente: se alguém sentia falta do jovem garotinho, o “half” do título da série original, não o encontrará em um barbudo Jones, nem mesmo quando ele olha para a câmera e sorri de forma bocó, como nos velhos tempos. 

O grande erro de Lorre foi tentar usar a persona de Charlie Harper, mesmo que ele não estivesse disposto a aparecer. Se a série sobreviveu 4 anos sem ele, não era a hora de usá-lo para amarrar tudo. Aliás, a presença de Charlie só ajudou a preencher espaços, criar expectativas e deixar mais buracos vazios. Escolher por dizer que o personagem estava vivo durante esse tempo todo – e não mostrá-lo – é uma vingança furada. Sheen saiu vencedor, Lorre. 

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