Centenário da Seleção Brasileira vira série de TV

NatGeo relembra história centenária em cinco episódios, com imagens de arquivo e depoimentos de ex-craques

João Fernando, O Estado de S. Paulo

30 de abril de 2014 | 03h00

Enquanto o hexacampeonato não chega, as lembranças das cinco vitórias do País na Copa do Mundo serão revividas em 100 Anos da Seleção Brasileira, série documental que o Nat Geo começa a exibir no sábado, às 22h30. Como diz o título, a atração, dividida em cinco episódios semanais, fará um histórico da equipe de futebol ao mesmo tempo que mostrará relatos dos anos em que o Brasil levou a taça para casa.

Além de imagens de arquivo de partidas e outros momentos dos jogadores, craques atuais e que já entraram em campo com as cores da seleção dão depoimentos em que relembram as experiências e gols ao redor do planeta. Na lista estão Pelé, Ronaldo Fenômeno e Zito, que participou das copas de 1958 e 1962. Cronistas esportivos e artistas fãs de futebol, como Dudu Nobre, foram incluídos. Até o italiano Paolo Rossi, que derrotou o País em 1982, dá suas impressões.

"Como é um documentário oficial da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), a gente manteve um distanciamento para não ficar chapa branca. É um programa verde e amarelo. A gente trata das derrotas e de problemas", conta o jornalista Mauro Beting, um dos diretores da atração, coproduzida em parceria com a Canal Azul. "É interessante falar da luta do negro para entrar no futebol. Os mestiços fizeram o começo da história. Entendemos o que a gente é pela história da seleção", analisa Ricardo Aidar, também responsável pelo documentário.

Apesar de tratar de cada vitória da seleção, os episódios são guiados por temas. O primeiro, sobre o campeonato de 1958 foi batizado de Queda do Complexo de Vira-lata. "Depois daquele ano, o jogador passou a ser mais valorizado", relembra Pepe, que participou do lançamento da série, ontem, em São Paulo. O ex-jogador tinha 23 anos na quando entrou em campo.

Entre as imagens das copas recentes, aparecem registros antigos da seleção centenária, como um vídeo dos atletas em 1925. As raridades foram garimpadas no acervo da Fifa, emissoras de televisão, agências de notícia e na Cinemateca Brasileira. As mudanças na direção da instituição, no ano passado, quase impediram que as imagens antigas entrassem no documentário, cuja produção começou em outubro e segue em edição até junho.

Assuntos delicados, como a convulsão de Ronaldo em 1998, não ficaram de fora. O craque e outros companheiros de time falaram sobre o caso. Entretanto, nem todos os ex-atletas convidados aceitaram participar do documentário. Romário, estrela da Copa de 1994, foi um dos que se recusou.

Como nem todos estão no Brasil, a equipe viajou para conseguir entrevistá-los. O goleiro Taffarel, por exemplo, deu seu depoimento na Turquia, onde é preparador do Galatasaray, time local. Até Ronaldo Fenômeno, que passou uma temporada em Londres, recebeu a produção na capital britânica.

A morte de dois entrevistados, Eusébio, moçambicano ídolo da seleção de Portugal, em janeiro, e do locutor Luciano do Valle, há duas semanas, fizeram os jornalistas reorganizarem o cronograma. A agenda seguiu apertada. O atual técnico, Luiz Felipe Scolari, por exemplo, só conseguiu dar depoimento na semana passada.

Fazer esforço para contar histórias do passado fez com o que os veteranos revivessem emoções do passado. "A minha primeira lembrança foi da seleção de 1950. Eu tinha 15 anos quando o Brasil perdeu (para o Uruguai). Houve aquela decepção, foi um pesadelo. Eu era um garoto, não senti muito. Mas o Brasil levou uns 40 dias para superar", relembra Pepe.

Ele analisa que Romário tinha uma atuação que lembrava a de Coutinho, presente na entrevista coletiva. Pepe afirmou que o amigo era confundido com Pelé, em 1962. "Pela cor", interrompeu Coutinho. "Pela categoria. Aí, ele passou a jogar com as meia arreadas para ser elogiado nos bons momentos", rebateu Pepe.

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