João Miguel Jr./Divulgação
João Miguel Jr./Divulgação

Cenas de um casamento falido

Dos criadores de ‘Os Normais’, novo seriado da Globo convoca o humor como testemunha do fim de um matrimônio

Patrícia Villalba / RIO,

20 de março de 2010 | 16h00

É o tipo de situação em que só o famigerado gerúndio pode exprimir o que se passa na vida de um casal. "Estar se separando" é uma condição que pode ter tempo indeterminado e, sempre feita de alguns momentos patéticos, pode até ser engraçada para quem vê de fora. Ainda mais se o casal sob a lupa for criação dos autores Alexandre Machado e Fernanda Young, que retornam ao estilo de sitcom que fez de Os Normais (2001) um sucesso de deixar saudade. Com Débora Bloch e Vladimir Brichta, Separação, série de 12 episódios, tem estreia prevista para o dia 9 (sexta-feira), na Globo, às 23 horas.

 

Casados há mais ou menos 8 anos, sem filhos, Karin e Agnaldo já chegaram à conclusão de que o melhor é terminar o casamento. Mas quem disse que é fácil? "Eles sempre dizem ‘ah, agora não, depois’", explica Débora Bloch ao Estado, nos bastidores de gravação, no Projac.

 

Um casal meio doido; Alexandre e Fernanda como roteiristas; José Alvarenga como diretor e uma série de humor nas noites de sexta - não há como não lembrar da receita de Os Normais. Autor e diretor garantem que as semelhanças acabam aí. "Um é praticamente a antítese do outro. Em Os Normais, tínhamos um casal que devia se casar, mas não se casava. Em Separação, um casal que devia se separar, mas não se separa. Rui e Vani encaixavam perfeitamente. Agnaldo e Karin não se aguentam mais", explica Alexandre. "Em relação a ritmo e qualidade das piadas é muito parecido, mas as loucuras são diferentes", diz Alvarenga.

 

Karin e Agnaldo são um casal muito mais normal do que Vani e Rui. Ela é professora e ele, funcionário de uma empresa de seguros. O seriado vai mostrar como o processo de separação acaba contaminando tudo e todos que estão em volta. Em resumo, é a história de como a vaca foi para o brejo. E haja neurose, algo muito menos polido do que a separação elegante de Helena (Taís Araújo) e Marcos (José Mayer) em Viver a Vida, por exemplo. "Eles vivem aquele momento de desgaste em que tudo o que já foi virtude vira defeito", conta Débora. "É quando um se irrita com o jeito que o outro mastiga, com o dedão do pé que não é bonito, essas coisas", detalha Vladimir.

 

DR de malucos. O tom do programa é mais ou menos o mesmo do filme A Guerra dos Roses (1989), que tem Michael Douglas e Kathleen Turner como o casal que põe a casa abaixo num processo de separação. "O legal é que estamos vendo esses dois personagens enlouquecendo. E como eles enlouquecem, enlouquecem as pessoas no trabalho também. É aquele tipo de coisa que começa pequena e vai tomando proporções enormes", observa Alvarenga.

 

Parece até piada, mas como é um clássico dos relacionamentos da vida real, foi a mulher que resolveu expor suas insatisfações primeiro. Para Agnaldo, estava tudo certo - "Claaaro!", diverte-se Débora. Mesmo não tendo certeza do que quer exatamente - que ele mude seu comportamento ou que seja mais atencioso, por exemplo -, Karin vive tentando chamar Agnaldo para uma conversa séria, tipo DR (discussão da relação). Mas como os dois protagonizam uma série de humor, claro que as conversas descambam para a picuinha pura e sem medida. "Quando ela tenta conversar, dizer como se sente, ele está pensando na tabela do Campeonato Brasileiro", conta Vladimir.

 

Sem medo do perigo, Agnaldo vive cutucando a mulher, à beira de um ataque de nervos. "Os dois ficam se pentelhando o tempo todo - só que ela perde o controle e ele, não. Tem uma cena muito engraçada em que ela diz pra ele: ‘e quem é o pentelho mais pentelhudo da pentelhândia?’", diz Débora, às gargalhadas.

 

Para se ter uma ideia do grau da neurose do casal, numa das cenas que o Estado acompanhou, Karin tem um ataque porque, depois de uma briga, Agnaldo esconde todas as toalhas de banho da casa. "Lembrei daquela mulher do vídeo do Youtube que gritava ‘Pedro, me dá meu chip!’. Daí, fiz ‘Agnaldooo, cadê minhas toalhas!’", fala Débora.

 

Linha Discovery. A ação do seriado é acompanhada de perto por um narrador que, segundo Alvarenga, terá um estilo meio Discovery Channel. "É como se ele acompanhasse os dois do ponto de vista científico", diz. Já no início, esse narrador (cujo nome ainda é mantido em sigilo pela produção) deixará bem claro que o destino de Karin e Agnaldo é mesmo a separação. Mas é possível que o público torça pelo amor - ou pela diversão. "Conseguir rir das nossas dores é a cura definitiva. E existem poucas coisas tão divertidas quanto assistir a dois adultos brigando por qualquer besteira", define Alexandre.

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