Marília Cabral/Globo
Marília Cabral/Globo

'Celeste é inspirada em mulheres libertárias', diz Marisa Orth

Atriz fala de sua personagem na novela 'Tempo de Amar'

Entrevista com

Marisa Orth

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2018 | 06h02

Conhecida pelos personagens cômicos, Marisa Orth já havia mostrado sua versatilidade como atriz com um papel dramático na série Dupla Identidade, em 2014, e voltou a essa frequência de interpretação na novela Tempo de Amar, exibida na faixa das 6, na Globo. Também cantora, ela vive uma fadista, a portuguesa Celeste Hermínia, uma mulher forte, que veio morar no Brasil - e cujo passado foi revelado após o reencontro com sua filha, Maria Vitória (Vitória Strada), do relacionamento que teve com José Augusto (Tony Ramos). Marisa fala sobre sua personagem no folhetim de Alcides Nogueira e sobre o longa Sai de Baixo.

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Você já falou do desafio de cantar fado em Tempo de Amar. Como foi essa preparação?

Comecei a preparação uns dois meses antes de a novela começar. Tive aulas com a Jéssica Areias, cantora e preparadora vocal angolana residente em São Paulo. Ela começou na carreira muito cedo e exatamente cantando fados. Com ela não só melhorei minha técnica como me aproximei um pouco mais do espírito, do mood do fado. No Rio, tive e tenho aulas com a Nina Pancewsky, uma absoluta gênia no que se refere à voz e ao canto.

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Fado é um estilo de música que você já ouvia?

Por uma coincidência dessas que ninguém explica, passei a me interessar por fado dois anos antes da novela. Há que se considerar também que a cena do fado atualmente está bastante evidente. 

Os fados que você canta foram compostos especialmente para a novela. Isso traz uma emoção diferente, um certo frescor, do que cantar os fados clássicos?

Nani e Yuri Palmeira foram responsáveis pela composição das músicas que canto na novela. Sem dúvida, isso as torna mais acessíveis tanto a mim como ao público brasileiro, porque, por mais que tentemos, acho que não conseguiríamos mergulhar mais nas essências e raízes do fado. 

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Celeste é o que podemos chamar de feminista, uma mulher à frente de seu tempo. E uma figura totalmente verossímil para aquela época. Qual legado que mulheres como Celeste deixaram para os dias de hoje?

Celeste é inspirada em mulheres libertárias. Chanel é uma delas. É patente a influência dessas mulheres na fermentação de movimentos de fortalecimento da mulher que ocorreram no século 20. O voto feminino, o desquite, o divórcio, pensão, temos que considerar que em 1929 nada disso ainda havia sido conquistado.

Como é para Celeste restabelecer as relações com a filha depois de tantos anos?

Acho que é fácil perceber como uma situação dessas moveria muuuitas emoções. É difícil, por outro lado, abarcar todas elas como atriz. E que emoções que eu vivi poderiam me ajudar a realizar essas cenas? Alcides Nogueira é quem tem me ajudado. Seu texto é preciso e muito bonito. Jayme Monjardim e todos os diretores da novela me ajudam muito a navegar pelo, às vezes conturbado, mar dessas emoções. E Vitória Strada é de fato um talento.

Celeste reencontrou José Augusto. Ainda há chances de perdoá-lo, por ele ter a deixado longe da filha após tanto tempo?

Por enquanto eles deram uma trégua por conta da filha. No futuro, não sei, acho que nada é impossível para Celeste Hermínia.

Conselheiro (Werner Schünemann), em outro nível, traiu a confiança dela também. Mesmo assim, Conselheiro ou José Augusto terá nova chance com ela?

Ah... Novela tem que ter final feliz, né? Eu torço por ela e Conselheiro. É um amor bem descrito e foi logo aceito por muitos.

Sai de Baixo voltou ao ar aos sábados, na Globo, e agora vai virar longa, com roteiro de Miguel Falabella. Quando começam a rodar? E a preparação?

Acho que começaremos a rodar em abril. Estamos a fim de nos divertir de novo, né? Sempre foi assim! Preparação? Por enquanto só dieta e musculação. Magda exige!

Márcia Cabrita (que morreu em novembro) era amiga sua. Como foram os anos de convivência nos tempos de Sai de Baixo?

Márcia era uma pessoa muito doce. Não é preciso melhorar em nada a imagem dela só porque ela partiu. Muito fácil gostar dela. Ela, de fato, era hilária e muuuito generosa. Foi ótimo conviver com ela no Sai de Baixo.

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