Gabriel Rodrigues/Divulgação
Gabriel Rodrigues/Divulgação

Cecília do outro lado do balcão

Produtora de elenco da O2 se divide entre bastidores e atuação para trabalhar em ‘Beleza S/A’, nova atração do GNT

João Fernando, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2013 | 20h00

Cecília Homem de Mello anda fazendo serão na O2. Coordenadora de produção de elenco na empresa, que tem o cineasta Fernando Meirelles entre os sócios, ela ganhou, sem querer, um papel na série cômica Beleza S/A, que estreia quarta-feira, dia 7/8, às 23 horas, no canal pago GNT.

“Eu tive de fazer uma réplica (contracenar em um teste de elenco) porque não tinham ator no momento. A Fabrizia Pinto (diretora-geral da série) disse: ‘Tem de ser você, não consigo ver mais ninguém no papel”, revela a atriz, que passou por situação semelhante no seriado Som e Fúria.

Na trama, ela é Ester, secretária de Alex Uberwald (Antônio Petrin), cirurgião plástico que dirige a clínica estética onde se passa a história. Em um lugar em que pacientes são obcecados por corpos perfeitos, ela ajuda o patrão a manter o equilíbrio.

“A presença dela é para fazê-lo funcionar. Até se ele fosse veterinário, ela estaria lá. Mais para o final, tem eles têm um envolvimento maior. Ela é viúva”, adianta Cecília, que não tem problema com a idade, como os personagens. “Estou ansiosa para pendurar a placa de 60 este ano.” No cenário da clínica, montado em um estúdio em que cada ambiente tem as quatro paredes, Ester vai aparecer através do vidro da sala de Alex, mas sem diálogos.

“Eu ficava fazendo minha agenda. Às vezes, eu passava o texto ou falava com a Priscila”, explica, citando a personagem interpretada por Fafá Rennó, uma das clientes assíduas do local.

Por ter de dar expediente na produtora, Cecília precisou ser substituída em parte das sequências. “A gente montou um esquema para eu poder ir para o set e vir para cá. Há cenas em que não sou eu, é um stand-in de peruca. No dia em que tive de me ausentar, a personagem se ausentou”, disse ao Estado na sede da O2.

Funcionária do setor de publicidade da produtora, Cecília tem função chave nos comerciais produzidos lá. “Recebo roteiro, converso com o diretor e vejo o tom que ele quer dar. Então, mostro trabalhos de atores de agência ou do nosso banco de dados. Aquilo vai para a agência de criação, eles veem quem está dentro o do que eles imaginavam e o cliente aprova”, detalha ela, que trabalha na empresa desde os anos 1980, quando ainda era chamada de Olhar Digital, onde foram criados personagens como Ernesto Varella.

Mesmo com formação da Escola de Artes Dramáticas da USP e experiência no Centro de Pesquisa Teatral do direto Antunes Filho, a produtora de elenco garante que não se esforça para atuar em filmes e séries. “Eu só vou se me chamam. Eu me divirto assim. Até cheguei a montar um espetáculo paralelo com amigas musicistas. Acabei virando uma palhaça em peças que misturavam música e contação de histórias.”

A diversão de Cecília é ajudar a emplacar atores pouco conhecidos nos novos projetos da casa. “Muita gente nos procura. Há os desafios de (alcançar) patamar de mídia e aceitação. É para conseguir acrescentar, é bom não ficar só no déjà vu.”

 

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