Cauã Reymond, na linha do adorável cafajeste

Ator mistura Godard e New Kids On The Block para compor o Halley da novela A Favorita

Alline Dauroiz, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2008 | 21h39

Ele já viveu personagens engraçados, como o menino bobão de Malhação e o lutador da caricata família Sardinha, em Da Cor do Pecado. Também já interpretou homens sensuais - seu michê de Belíssima terminou a novela lascando um beijo na vilã, que diga-se, era ninguém menos que Fernanda Montenegro. Mas agora, Cauã Reymond, de 28 anos, empresta sua pinta de galã a Halley, em A Favorita, papel que parece reunir o lado cômico e cafajeste dos anteriores.Na novela, que ainda não emplacou um núcleo de comédia, o ator protagonizou cenas hilariantes ao fingir ser gay e, com Iran Malfitano, o enrustido Orlandinho, garantiu a dose de riso da trama. "Fiz só uma cena como gay e ela acabou tendo uma repercussão enorme", diz.Modelo internacional, o ator - que é filho de astróloga e de um psicanalista - morou em Paris, Milão e chegou a estudar teatro por quase dois anos em Nova York. Na infância e adolescência, mudou diversas vezes de cidade e diz que isso o atrapalhou. "Só aprendi a criar vínculos mais tarde." A oportunidade na Globo surgiu em 2002, quando visitou a família no Brasil. Aproveitou para fazer curso para a TV e foi chamado para o teste da novela juvenil.De lá para cá, está em seu sexto folhetim na emissora, o segundo em horário nobre, e tenta quebrar o preconceito que acredita circundar os belos atores. "É uma batalha diária. Mas acho que já consegui tirar um pouco esse estigma."Você fez laboratório para compor o Halley?Conversei com um lobista que nunca gostou de estudar nem trabalhar, mas sempre teve a manha de se meter no meio de gente rica. O João (Emanuel, autor da novela) me conduziu também para ver a história do cara que se fez passar pelo filho do dono da Gol. Além disso, procurei um pouco a coisa cômica do Jean-Paul Belmondo, no Acossado (de Jean-Luc Godard), em que ele é bem cafajeste. E como sou fã do Jean Paul Belmondo, vi O Magnífico (de Philippe de Broca), em que ele faz uma caricatura do 007. Além de assistir (à série) Californication e pegar um pouco da cultura do hip hop, de Mark Wahlberg, do New Kids on the Block...Você disse que não quer mais fazer personagens sensuais...... não quero fazer outro cafajeste tão cedo. Porque já fiz dois em novelas das 9, apesar de achar que são diferentes. Em Belíssima, o Mateus era um garoto de programa, bem mais inteligente do que o Halley. E o Halley é um escalador social.Se pudesse escolher, qual seria seu próximo papel?Adoraria fazer um personagem rural, ou de época, ou um pescador.Qual personagem foi seu maior desafio?No filme Se Nada Mais Der Certo, que deve estrear este ano, faço um jornalista frustrado, que vira estelionatário. Sempre que posso, gosto de estar em contato com a natureza. Então, tive que morar em São Paulo por três meses, para acostumar com a vida mais urbana. Também tive que aprender a beber e a fumar cigarro, porque fui atleta na adolescência. O Mateus de Belíssima também me marcou. Foi meu primeiro grande papel na TV.E o beijo com a Fernanda Montenegro no último capítulo de Belíssima? Ficou nervoso?Quando fiquei sabendo que viveria um garoto de programa, contei ao Mauro Mendonça Filho, meu diretor em Como uma Onda, e ele falou: "Olha, por você ser mais inexperiente, não fica nervoso, independente de quem seja a atriz! Você tem que tratá-las de igual para igual, se fizer alguma reverência, elas não vão gostar". Na hora, lembrei desse toque e fingi (que não estava nervoso) (risos). Pensei que ela era uma atriz mais experiente e que eu tinha que fazer minha parte na cena.Você ainda escreve poesia?Por ingenuidade, há uns quatro anos, falei que escrevia poesia. Escrevo desde os 15, mas se for publicar, ninguém vai saber, porque seria com pseudônimo. Não quero que elas passem por preconceitos.Você não entrou na onda de ter um blog?Não sou um cara de internet. Fui ter meu primeiro laptop este ano. Não tenho orkut, blog, nada. Não me sinto atraído em dar minha opinião sobre tudo, prefiro ficar com ela pra mim.

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