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Caso do Verão da Lata, dos anos 1980, é resgatado em telefilme

Caso do Verão da Lata, dos anos 1980, é resgatado em telefilme

Documentário traz novas histórias sobre a chegada de latas com maconha à costa brasileira

João Fernando, O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2014 | 16h34

 A novidade veio dar à praia na qualidade de milhares de latas que surgiram no litoral do Sudeste brasileiro no final de 1987. A chegada de 22 toneladas de maconha embalada a vácuo, que mexeu com a polícia e os moradores de cidades litorâneas, também deixou intrigados os cineastas Tocha Alves e Haná Vaisman, que resolveram rodar o telefilme Verão da Lata, exibido pelo History no próximo sábado, às 22 horas.

O documentário reconta o curioso episódio com depoimentos de quem tirou proveito da erva e relatos de autoridades que investigaram o navio Solana Star, de onde foram despejadas as latas nas águas brasileiras no momento em que a tripulação soube que a marinha estava de olho em uma embarcação suspeita de carregar a droga. “O fato criminal foi o que nos motivou a fazer o filme. Queríamos explicar tudo”, conta Tocha. 


A produção ganhou ares de história policial. “Contratamos um detetive norte-americano para encontrar as pessoas por lá”, revela o diretor. A tripulação de traficantes, que havia iniciado a viagem marítima pela Tailândia, tinha de entregar a encomenda em Miami. Entretanto, o DEA (Drug Enforcement Administration), órgão responsável por crimes relativos a drogas, havia avisado as autoridades brasileiras que a embarcação estava por aqui. Ao desembarcar no Rio, todos retornaram aos EUA, menos Stephen Skelton, suposto cozinheiro do navio, que se envolveu com uma brasileira e acabou preso.

Encontrado pelos cineastas, ele não quis participar do documentário. “Ele foi super hostil, achou que estávamos querendo faturar em cima dele. Stephen cobrou US$ 30 mil para dar entrevista. Tanto que nem falamos o nome dele, só os entrevistados. Ele achou que venderia essa história para Hollywood”, reclama Tocha. A pesquisa nos EUA, porém, teve bons resultados. “Achamos o promotor responsável por prender todo mundo.”

A figura em questão é Joseph Urbaniak, que deu detalhes sobre os depoimentos dos acusados. O norte-americano também protagoniza um dos momentos cômicos do filme. A produção levou uma réplica de uma das latas e ele pensou que fosse uma original. “Não deu tempo de avisar. Quando entregamos, ele ficou emocionado. É como se fosse um troféu para ele”, revela o diretor, que conseguiu um exemplar da época para criar as cópias, usadas em cenas de reconstituição.

Verão da Lata é recheado de imagens de arquivo e entrevistas de policiais que trabalharam na operação. Além da Marinha brasileira, artistas e anônimos não quiseram participar por causa do tema. “As pessoas têm medo. Mas, quem falou, ficou à vontade, pois não tem nada a dever. O mundo é hipócrita. Tem quem fale muito, porém, na hora em que ligo a câmera, não fala mais”, aponta o diretor. Entre os corajosos estão os cantores Lobão. Roger Moreira e Fernanda Abreu.

Durante as filmagens, era comum os entrevistados marcarem e não aparecerem. Por isso, a equipe decidiu procurar anônimos nas areias de Ipanema, no Rio, e encontrou testemunhas do caso. Quem também fugiu foram os patrocinadores. “As marcas não querem se relacionar com o tema. O mais complicado, entretanto, foi conseguir o material de arquivo”, conta Krishna Mahon, diretora de conteúdo original do History. 

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