Lourival Ribeiro/SBT
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Carlos Alberto de Nóbrega sobre aposentadoria: 'parece que querem saber a data da minha morte'

Apresentador completou 30 anos à frente do humorístico 'A Praça É Nossa', no SBT

Gabriel Perline, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2017 | 05h00

Carlos Alberto de Nóbrega completou recentemente 30 anos em seu velho e querido banco. A Praça É Nossa até ganhou uma homenagem do Domingo Legal, mas não levou ao ar uma edição comemorativa. Para o dono da Praça, está tudo bem. Diz não ser apegado a datas, embora afirme que o dia mais feliz de sua vida foi sua estreia no SBT. Não se imaginava apresentador, mas a morte do pai, Manuel de Nóbrega (1913-1976), o levou para a frente das câmeras. “Foi um divisor de águas”, lembra.

É pelo humorístico que o coração de Carlos Alberto bate mais forte. Ele assina a redação final, eventualmente escreve esquetes, é rígido com os humoristas que entregam seus textos fora do prazo e assiste sozinho ao programa, todas as quintas, para achar os erros que ele deixou passar. “É a minha hora crítica. Posso mexer no texto, nos quadros durante a edição, mas, quando vai ao ar, não tem como mexer. Fico com a TV ligada, o celular no minuto a minuto da audiência, e fico vendo o que os concorrentes estão fazendo e quanto eles estão dando [de audiência]. Essa questão da audiência me cansa, eu sofro demais, custo a dormir”, afirma.

O que estes 30 anos representam para você?

O dia mais feliz da minha vida profissional foi a minha estreia no SBT, no dia 7 de maio. Foi um divisor de águas. Eu era redator e diretor, e depois comecei a comandar um programa. Como redator, eu escrevi o Família Trapo, Os Trapalhões.

Continua escrevendo?

Muito pouco, mas eu faço a redação final. Tenho os meus redatores e, a alguns artistas, eu dou liberdade de escreverem os seus textos. Na quarta-feira, todos têm que me entregar os textos. E, se não me entregar na quarta, nem precisa me entregar na quinta. Não grava. Sou muito rigoroso, disciplinado. 

Como é a sua rotina?

De segunda, eu decoro o programa. Terça, chego às 10h na TV, e gravo das 15h às 20h. Quarta, edição e redação final, mas, quando o São Paulo joga, eu faço a redação na quinta de manhã (risos). Quinta, eu sofro feito um animal assistindo ao programa, é um dia ruim para mim. Vejo o programa sozinho, não quero ninguém do meu lado. É a minha hora crítica, porque não tem como salvar. Posso mexer no texto, no quadro durante a edição, mas, quando vai ao ar, não tem como mexer. Fico com a TV ligada, o celular no minuto a minuto da audiência, e fico vendo o que os concorrentes estão fazendo e quanto eles estão dando. E essa questão da audiência me cansa, eu sofro demais, custo a dormir. 

Há brigas na sua casa quando tentam assistir com você?

Não, porque moro sozinho há 8 anos. Eu assisto para procurar erro. E, se mostra algo engraçado e a pessoa do meu lado não rir, aquilo me incomoda. Para mim, é muito importante ver no ar, porque eu consigo ver coisas que poderia ter feito e não fiz. Sou um pouco exagerado e sempre acho que posso fazer mais.

O que você sente quando lhe perguntam sobre seu sucessor?

Isso me enche muito o saco. Uma vez, um jornalista veio me perguntar quem iria me substituir na Praça. Eu disse que não queria falar sobre a minha morte, só sobre a minha vida. Porque só vai entrar o Marcelo (seu filho e diretor do programa) depois que eu morrer. Esse negócio de falar ‘quando eu vou parar’ parece que a pessoa quer saber a data da minha morte. 

Você tem medo da morte?

Não. Eu sou espírita.

Mas você fala sobre a morte com um certo pesar...

É porque você não tem 81 anos. O meu futuro chegou. O meu filho mais velho (Carlos Alberto Filho), eu brigo com ele porque ele não aceita a minha velhice. Acho que ele tem medo de perder o pai. Ele me enche o saco, quer que eu faça coisas que ele, com 53 anos, está fazendo.

O que você espera da Praça?

Acho que essa turma atual segura uns 4 anos. O meu único medo é a internet.

Você acha que a internet está te ‘roubando’ público?

Não, mas estou perdendo o meu Ibope. Quando a Praça estreou, nós dávamos 45 pontos. Hoje, quando damos 12, comemoramos muito mais que antes, porque é muito difícil conseguir tudo isso.

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