Cara de rei em focinho plebeu

Quando andar pelas ruas, atenção! Roberto Carlos e até Elvis podem estar bem ao seu lado

Pedro Venceslau e Marília Neustein, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2008 | 23h50

O que Madonna e Saddam Hussein têm em comum? Tanto a diva como o ex-ditador sempre tiveram o hábito de contratar sósias para compor seus staffs. Saddam fazia isso para confundir inimigos. No caso de Madonna, é capricho. No último domingo, no Rio, a cantora incluiu duas loiras "idênticas" a ela no seu métier, apenas para acenar da janela do hotel enquanto descansava para o show. Não há registro no Brasil de celebridades que usem tal artifício, mas existe por aqui um grande mercado de sósias, abastecido pela televisão.Em julho, Silvio Santos, o original, resgatou o quadro dos sósias, sucesso dos anos 80. "O quadro nos ajudou a chegar na vice-liderança. Recebemos mais de 5 mil inscrições desde que começamos. Mas também trabalhamos com cinco agências do ramo. O primeiro colocado ganha R$ 500, e o segundo, R$ 300", conta Roberto Manzoni, o Magrão, diretor do Programa Silvio Santos. "Mas a palavra final é do chefe. Silvio pega a foto original, a do sósia, e compara", diz Magrão.Álvaro Martins, o Elvinho, foi com a cara e a coragem ao SBT. Faturou um honroso segundo lugar imitando Elvis Presley. "Perdi para o Roberto Carlos ( jogador), mas meu telefone apareceu no ar um tempão, o que ajudou muito". Ex - caminhoneiro, ele é sósia profissional do rei do rock há seis anos. Ganha de R$ 1,5 mil a R$ 5 mil por apresentação, bem mais que os R$ 700 mensais da época da boléia. "Quando tinha 8 anos, assisti ao filme Feitiço Havaiano. Foi aí que tudo começou". O grande salto como Elvis deu-se em 2002, quando foi convidado para recepcionar convidados na Ilha de Caras. "Além do Silvio, já fui no Altas Horas, na Ana Maria Braga e no Gilberto Barros", orgulha-se. Falta realizar o grande sonho: conhecer Graceland, a casa de Elvis em Memphis. "Até tatuei o Elvis no braço para convencer a imigração. Mas não teve jeito, negaram o visto". ALÔ, BICHORaul Nazário é fã de Roberto Carlos desde criança, mas foi por acaso que descobriu que podia ganhar a vida imitando o rei. Radialista de formação, ele procurava emprego em São Paulo, em 2001, quando passou por um caminhão da Globo que realizava um concurso de sósias, no Metrô Tatuapé. A semelhança com Roberto chamou a atenção do repórter Britto Júnior, que o chamou para uma "palinha". Nazário começou então a fazer shows na porta de lojas de instrumentos musicais na Rua Santa Ifigênia, no centro. E veio a grande chance. "A produção do Faustão me chamou para o Se Vira nos 30. "Cantei Emoções e o Faustão me pediu mais cinco músicas." Em 2004, colecionou 14 vitórias no Gente Que Brilha, do SBT. "O prêmio era R$ 200 mil, mas perdi para o imitador do Nelson Gonçalves." Em 2007, a convite de um amigo, embarcou no mesmo cruzeiro em que o rei cantaria. "Há oito anos vivo de cantar Roberto Carlos." Cobra de R$800 a R$ 1.200 para shows na capital.

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